Acabei de ler um post do Inagaki com o qual me identifiquei. Ele fala sobre a raiz japonesa, a herança e os legado fortes, e diz como gostaria de ser mais “aplicado” em relação às suas origens e como gostaria de ter conversado mais com os antepassados sobre a chegada deles ao Brasil. Concordo, eu também queria tudo isso. Já fui chamada várias vezes de japonesa paraguaia, porque não como peixe e não falo nada – a não ser batchan, hashi, mandju, yakuza, sayonara, Hattori Hanzo e Murakami.
Lembro que, quando pequena, ficava encantada com o ofurô na casa da batcham, o Buda e com o fato dela cozinhar qualquer coisa usando os hashis. A cozinha, aliás, era uma coisa literalmente miscigenada: arroz, bife à milanesa, tempura e algas. De sobremesa, doce de leite cortado em quadradinhos e mandju, que é um doce de feijão azuki (afe, até babei agora de vontade de comer).
Eu ia muito à casa dela, no interior de São Paulo, quando era pequena, e terminei não sabendo nada sobre a vinda ao Brasil e as aventuras nesse lugar tão distante e diferente. Primeiro porque eu não pensava no tempo limitado que teria com ela; segundo, porque quando pequena você nem pensa em conversar sobre isso; e terceiro, porque, como todo típico oriental, batcham sempre foi quieta, muito quieta, concordava muito com a cabeça em movimentos curtos, servis e suaves, falava baixo e quase nunca e ria com a mão na frente da boca.
Ainda no post do Inagaki, tinha esse link para um comercial da Varig super antigo, que fala sobre o pescador Urashima Taro. A intérprete é a Rosa Miyake e o jingle – criado em 1968 – foi uma homenagem aos imigrantes japoneses. Imperdível.