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O desfile da Chanel, em fevereiro, trouxe os grandes ícones da marca para a passarela. De maneira divertida, as modelos desfilaram em um carrossel com mega-laços, pérolas e camélias gigantes – objetos-ícones simples, que traduzem a elegância eterna da marca.

Chanel ficou órfã com 11 anos de idade. Pobre na infância, começou a se envolver com moda ao trabalhar como vendedora numa chapelaria.  A estilista sempre mirou com alvo preciso os millionaires, que alavancaram sua carreira: foi amante de Étienne Balsan, que a apresentou a artistas e cortesãs que seriam as primeiras a divulgar suas criações. Depois,  casou com o inglês Arthur Capel, que financiou sua primeira loja. O contato com os melhores tecelões foi resultado do affair com o duque de Westminster. Depois disso tudo, o mundo já era dela.

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Magra, franzina, seios pequenos e quadris estreitos, Chanel criou roupas para tipos físicos como o dela e usando tecidos considerados ordinários, como o jersey. A genilidade em criar hits com itens simples tornou-se sua marca. Antes de criar o pretinho básico – considerado pela Vogue o “Ford dos vestidos” – a cor a preta era usada somente para funerais. Chanel trouxe as calças compridas para o guarda-roupa feminino e ousou ao colocá-las em jantares e eventos finos. As bijouterias, através de suas mãos, ganharam status. E em tempos de escassez da guerra, lançou mão das camélias como enfeites, das luvas e perfumes para sustentar as vendas.

Extremamente inteligente, foi amiga de Picasso, Igor Stravinski, Dali, Jean Cocteau, e Winston Churchill que evitou que ela fosse presa no final da Segunda Guerra, quando passou os anos de ocupação de Paris no hotel Ritz com o amante, um barão alemão. Aliás, Chanel morou durante os seus 30 últimos anos de vida no Ritz. A suíte, decorada por ela, hoje tem fila de espera e custa módicos 6.600 euros/noite.

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Sempre fico pensando como seria um desfile nowadays organizado pela criadora de uma estética extremamente nova para a época. Chanel, que sempre foi irônica, avant-garde e extremamente marketeira com certeza nos surpreenderia. Mas, será que seria num carrossel quase kitsch?

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