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São duas horas e pouco e seis caras para Bob Dylan no filme Não estou lá. As junções inesperadas de quadros, os personagens diferentes e o toque surrealista são frescos, amarram e desamarram histórias e quebram o tom de quase-biografia, ainda que a história não se proponha a ser uma.

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A melhor face é a vivida por Cate Blanchett (ídola), metida, irônica, debochada e avessa às vontades da mídia, vivendo o lado de músico que é questionado sobre suas atitudes e ideais políticos e sociais.  As outras faces revelam: um garotinho que vaga pelos trens, para levar a música a outros cantos, buscando relatos em casas desconhecidas; um poeta que é interrogado e responde sempre o inesperado; um cantor folk conhecido como representante do estilo e que depois vira cantor gospel; um forasteiro recluso buscando justiça na cidade que o acolheu; e um marido incostante e distante – vivido por Heath Ledger – com problemas no casamento (a mulher é vivida por Charlotte Gainsbourg).

A tilha é toda de Bob, mas o filme não usa seu nome, usando personagens para diferentes fases da vida do cantor. O diretor, Todd Haynes, é o mesmo de Velvet Goldmine, que fala (sem dizer que fala) sobre Bowie.