Viajar pro outro lado do mundo sempre foi uma vontade. Antes de tudo porque sou neta de japoneses, claro. Todo ano, quando ia para a casa da minha avó, no interior de SP, ficava horas ouvindo-a conversando com meu pai em japonês, sem entender nada, mas achando que, em determinado momento, alguma coisa eu ia aprender.  Ali eu já comecei a achar interessante o que todo mundo ficava falando que era esquisto: as entonações no final da frase, as vogais repetidas, a expressão quase inexistente no rosto, os sorrisos esparsos e calados. Além das conversas enigmáticas, tinham as letras desenhadas em cadernos espalhados pela casa, um altar para Buda (com incensos), um ofurô onde a batchan tomava banho e os quimonos e faixas que ela vestia e que eu achava lindos, ainda que não glamurosos, feitos de algodão e não de tecidos nobres.

Além dessa questão da árvore-de-cerejeira-genealógica, são muitas as referências de lá que me dão curiosidade: os recursos tecnológicos, os mangás de olhos grandes, as lutas, apetrechos e artimanhas dos samurais, os yakuza, as harakaju-girls, a moda levada ao extremo e o consumo louco de gagdets (soube por uma conhecida que morou lá que a Motorola troca seus anúncios de dois em dois dias nos painéis do metrô). 


Algumas Harajuku-girls


Foto: Fashion Bubbles

 
As tatuagens Yakuza

Depois de curtir uns dias o lado urbano, queria passar dias no tatame, tomando chá, aprendendo e observando costumes mais tradicionais e olhando, até o dia acabar, as paisagens diferentes, inspiradoras e pacíficas.

 

Eu e Mari Newlands estamos, portanto, lançando a campanha Japão 20 ver (a logo está em andamento). A idéia começa, no entanto, com a proposta de ganharmos o quádruplo ou mais do que ganhamos por mês e ter um fundinho para poder tornar nossos desejos pela terra do sol nascente reais. Quer participar? Join us. Ah… queria muito agora uma janela com vista para Tokyo.

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