Quando você pega o Rio Show e vê um filme classificado como “filme de amor” já sente arrepios e imagina uma trilha ruim, louras de cor de rosa, homens musculosos com pullovers de tricot bege e amigas frenéticas ao telefone.

Esqueça as definições, os traumas e os clichês e veja Um Beijo Roubado. Tudo bem que o título não ajuda (o original chama-se My Blueberry Nights) e os protagonistas podem parecer suspeitos (Jude Law e Norah Jones), mas deixe de lado os preconceitos e entre na sala de cinema.

Esse é o primeiro filme de Wong Kar-Wai em inglês, mas a estética, os ângulos, as cores e seus silêncios estão presente em Blueberry, ainda que de maneira mais pop. O filme fala de decepções, amores e fragilidades, tendo como pontapé principal a desilusão amorosa sofrida por Elizabeth (personagem de Norah). Em busca do (então) namorado, ela telefona para o charmoso e invernoso bar de Jeremy (Jude Law), descobrindo uma traição e desenvolvendo a partir daí uma relação com Jeremy. 

Depois de uns dias buscando novos rumos,  enquanto devora rejeitadas blueberry pies no bar de Jeremy, Elizabeth entra num ônibus sem destino, tentando esquecer o ex-namorado. Entre viagens para cidades distintas e o trabalho em bares, ela observa e vive a desilusão, confusão e as perdas sofridas por estranhos – que em pouco tempo tornam-se mais do que conhecidos. Seu único contato com o passado fica sendo Jeremy, para quem ela escreve postais, sem nunca dizer seu endereço. Enquanto isso, ele tenta descobrir como achá-la.

Lindas as imagens granuladas, a despreocupação com cabelos arrumados e peles perfeitas e os focos inusitados. Os verdes e vermelhos, característicos de Wong, as fotos certeiras e os movimentos urbanos pontuam os silêncios. A paciência na espera de Jeremy, a entrega de Elizabeth e as estranhas distâncias entre as pessoas próximas tornam tudo real. E mais belo.

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