Acabei de assistir ao último capítulo de Six Feet Under e a sensação é de luto. Parece ironia e perfeitamente proposital a sensação, já que a série – a melhor de todas que já assisti – trata sobre justamente mortesperdas e mudanças.

Six Feet Under se passa numa funerária familiar, que fica no primeiro andar da casa dos Fisher. No primeiro capítulo, Nathaniel Fisher, fundador do business, morre em um acidente de carro. A partir daí, você passa a conhecer intimamente os personagens: os irmãos Fisher, Ruth (a matriarca da família) e os agregados que começam a construir suas “futuras lápides“junto à família.

Cada episódio das cinco temporadas começa com uma morte diferente, que depois é desmembrada durante o capítulo. E aí, de repente, você se vê mais familiarizado com a idéia de que nada é para sempre e que o que resta é o agora. Soa clichê, mas tudo que a série não é … é óbvia.

Emoções distintas e cenas chocantes resultam no melhor caos que já vi interpretado em série. A luz é esverdeada, dando clima sinistro e ao mesmo tempo artisticamente provocador. A fotografia é de primeira e as tramas misturam sexo, muitos conflitos e mudanças drásticas.

Impressionante os roteiros e diálogos que fazem você se sentir cada vez mais preso à família. Nate, o irmão mais velho, é o mais espiritualizado e segue o espírito carpe diem. Ruth, cinquentona, deprimida pela perda do marido e pela independência dos filhos, começa uma jornada cheia de novas experiências sexuais. David, irmão do meio, metódico e controlado, passa por provações até assumir ser gay. E Claire, a mais nova, passa por todas as fases adolescentes – usa diferentes drogas, cursa Escola de Artes, pensa em carreira como fotógrafa e frequenta muitas festas – até passar por muitas mudanças e perdas para ter certeza de quem é e do que realmente quer.

No doc que faz parte dos extras, diferentes agentes funerários comentam sobre o preciosismo em seguir fielmente as técnicas de embalsamento e cerimônia e sobre como a série fez todos entenderem como é lidar diariamente com sentimentos e momentos trágicos de outras pessoas, dando suporte à família, ao preparar a passagem para a morte. Realmente, são coisas nas quais eu nunca tinha pensado antes.

Os escritores, atores e produtores também comentam sobre como a série fez muita gente passar a encarar a vida e a morte com outros olhos, com mais noção, realidade. E em como é tênue a linha entre aproveitar o hoje e construir bases para o amanhã (que de repente pode não vir a existir).

Se você ainda não se convenceu que tem que ver Six Feet Under, te digo mais uma coisa: a criação, produção executiva e co-autoria de textos é de Alan Ball, autor de Beleza Americana.

Entendeu?

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