O limite com a morte sempre chamou a atenção. E aí incluímos todas as circustâncias, doenças e derivados possíveis para o limiar com o inexplicável: fobias, tragédias, esquizofrenias e vícios

Ademais da série dos super silicones e lindos e desejados corpos balançando na televisão, ao som de letras e musicalidades vazias, temos as questões pessoais, os dramas infinitos dando substância (seja esta qual for) a carreiras e a revistas de fofocas, criando fãs – sim, a empatia é gerada nesse momento.

Mas, nem tudo fica somente no mundo fútil das Britneys e Paris da vida – louras, ricas, novas, que se dividem entre problemas de verdade, problemas de peruarehabs. Vale lembrar que sse ciclo tem funcionado muito para mantê-las na mídia.

O fato é que de alguns anos para cá, poucos ganharamfama tendo como mote principal o talento. A persona virou realmente o principal business – sei que sempre houve a relação palco-música-vida pessoal, gerando mitos e fantasias… mas, nunca da maneira que vemos hoje em dia.

Mas, dentro da selva fake, cheia de dramas propositais e pré-arranjados, temos a incrível Amy Winehouse elevada à categoria de diva.  Claro, o talento no caso dela é latente: a voz impecável saindo de um corpo franzino e novo chamou a atenção de todos e terminou conquistando prêmios com um álbum que considero perfeito e agradou desde a massa até os críticos (missão quase impossível em todas as áreas de cultura). Porém,  Amy só foi elevada à categoria de diva, quando os problemas com os vícios chegaram aos tablóides, levando-a a ser comparada com Billie Holliday.

Vale mais uma vez a fórmula: juventude + talento + sucesso + tragédias = diva.

Ao mesmo tempo que acho incrível saber que em Londres, Paris e em festas até por aqui o cabelón nada convencional de Amy (que acaba de ser cortado) e o seu visual retrô – totalmente na contramão do estilo eat me – tem sido adotado por muita gente, acho bizarro saber que a vida pessoal cheia de problemas foi o motor principal para tudo isso ser considerado cool.

Enfim, desconsiderando os meus julgamentos e os vícios da diva, acho esperançoso saber que podemos ter talento na música, agradar a 8 e 80 e não cair no clichezão.

Tanta polêmica em volta dela saiu dos limites música-moda-celebrities e terminou atingindo o artista plástico Marco Perego. Autor de instalações, performances e peças críticas e debochadas, ele acaba de inaugurar a exposição “The Only Good Rock Star Is a Dead Rock Star“.

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Encarei a obra como uma crítica a isso tudo que falamos. São duas esculturas em tamanho real dispostas numa encenação: Burroughs, o papa dos beatniks, é autor do tiro que mata Amy.

Na vida real, Burroughs matou sua mulher ao atingi-la acidentalmente (?) com um tiro na cabeça, enquanto tentava, com uma espingarda, atirar em uma maçã sobre a cabeça dela. Os dois estavam loucos, claro.

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Quando perguntado pelo Style.com sobre o que Amy deveria achar da obra, ele disse:

“Who wouldn’t want to be included with Burroughs folklore?”

A obra está à venda por U$100 mil.

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