crepusculopordapieve

A crônica hoje do Dapieve fala sobre o feeling obscuro dos anos 80, a partir do relançamento de LPs do New Order. Adorei acordar numa sexta com leve neblina e ler sobre o período, desta vez sob uma outra ótica, nada colorida ou eufórica, já que a grande maioria se esquece que nem só de choc, choc, choc, chocolate bate o nosso coração.

Nas linhas, ele aborda o lado musical mais sombrio da época e o reduto dos chamados “darks” ou “góticos” pela mídia, o Crepúsculo de Cubatão.  Além de nos situar no ambiente, falando sobre as músicas que tocavam, drinks que eram bebidos e visual dos habituês, Dapieve questiona por quê era visto como estranho o comportamento do povo que não gostava de sol, andava de preto e tinha cabelo à la Robert Smith, lembrando que metade dos anos 80 rolaram sob a ditadura militar e a outra metade, sob comando de Sarney. Além, claro, das ombreiras (usadas por mulheres para se afirmar no trabalho e na sociedade, ao deixar o corpo mais masculinizado e, portanto,”mais forte”) e da hiperinflação, que gerava incertezas.

crepusculoA porta do Crepúsculo

Há pouco tempo o André me mostrou um vídeo de uma entrevista com Marcelo de Gang, estilista carioca que mostrou algumas coleções no Cubatão. Deu vontade de ver mais coisas nesse estilo: livre, obscuro e descompromissado ao mesmo tempo.

Fico sempre ressentida com o tempo por não ter conhecido espaços que marcaram época, como esse e o Madame Satã, que até hoje existe em SP, mas não mais com a mesma força.  Para quem se interessa pelo clube, saiu um livro em 2006. Dá pra ler mais sobre aqui: http://www.erikapalomino.com.br/erika2006/lifestyle.php?m=1789#titulo

madame1Madame Satã

Mas, hoje, abra o segundo caderno e  leia o Dapieve.
Ah, e, para ler, ponha o Power, Corruption & Lies no mp3.

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