Um dos meus filmes preferidos é o Encontros e Desencontros. Melhor narrativa sobre a solidão que eu já vi. Tokyo desde então me parece sinônimo de sentimentos densos e calados.

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Talvez a proliferação de sinais, cores, mensagens publicitárias e a falta de espaço lembrem de alguma maneira a opressão no sentido de limitar expressão das pessoas. O cenário logo é mais claro quando se soma a isso tudo o fato dos japoneses pouco falarem de si, esconderem os “nãos” em nome da boa educação e serem comedidos e rigorosos demais (ainda que, em alguns casos, somente publicamente).

Hoje vi esse curta/clip, o Alone in Tokyo, de Philip Bloom, com trilha do Air (Alone in Kyoto). Passados os seis minutos de narrativa, a sensação que fica é realmente a de solidão. Perfeito.

Dei um print screen em algumas imagens:

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Acho que deve ser curioso viver em um lugar tão avançado tecnologicamente – e com gadgets de comunicação incríveis – e, ao mesmo tempo, tão tradicional em seus rituais e hábitos. Os valores do capitalismo abrigados num espaço onde o tempo parece ser diferente deve realmente causar solidão, reflexão, recolhimento e certa depressão – chamada pelos japoneses  de “gripe do coração”.

Tanto o filme de Sofia Coppola quanto o curta de Bloom mostram a solidão em situações urbanas, cotidianas e onde estamos cercados por muitas pessoas. A associação entre o urbano e a solidão tem sido cada vez mais frequente. E a vontade de se isolar em espaços naturais, para se sentir realmente parte de alguma coisa, cada vez maior.

Clima Into the Wild.

Se não viu, aliás, veja.

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