A parte histórica é o que mais me interessa na moda. Adoro pensar nas peças adequadas ao tempo, na quebra de regras que algumas modelagens e novos comprimentos causaram e, antes de tudo, na roupa como meio de comunicação.  

Undercover-spotlight

Quase sempre esquecemos do papel da lingerie na evolução do tempo. A exposição Undercover, em cartaz no Fashion and Textile Museum, traça essa linha: da lingerie usada por questões de higiene, até se tornar verdadeira aliada com o surgimento dos modelos shape control e evoluir para item de moda. 

untitledFoto: Fashion Bubbles

Na expo, você pode ver peças de marcas famosas – como Triumph, Dior, La Perla, Wonderbra – e peças como este corset, inspirado no papel de Lana Turner no filme Merry Widow.

corsetFoto: Fashion Bubbles

untitled2Foto: Fashion Bubbles

Pra quem tem 30 anos, como eu, dá pra puxar a memória e lembrar do sutiã da avó, de lycra, simples, alça larga, sem bojo, cor da pele, para o dia-a-dia. E do de renda, preto, com recortes, para momentos sexy. Tudo ainda estilo anos 50, diva, Lana Turner, Elizabeth Taylor.

anos50

E o sutiã com ombreira embutida que nossas mães usaram muito nos anos 80? A idéia era simular um ombro maior e, portanto, uma igualdade entre os sexos, principalmente no campo profissional. Como ícone dessa mulher-Wall-Street, sempre lembro de Sigourney Weaver em Uma Secretária do Futuro.

ombreira

E, claro, dá pra lembrar que, quando nós começamos a usar sutiã – e assistíamos, na hora do almoço, Chaves e Caverna do Dragão na TV – usávamos um top, simples, de lycra, reto. Hoje, quanto não tem de variedade para as pré-adolescentes, que, com certeza, estão mais ocupadas com as chapinhas do que com os desenhos animados?

E, se pararmos para olhar para o início da nossa década, tivemos mudanças grandes nas lingeries, com a valorização do busto e a onda do silicone: o bojo e o aro entraram pra sempre na nossa vida, além, claro, da diversidade de tecnologias a favor do nosso corpo.

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Hoje, quando você vai procurar um sutiã, se depara com mil categorias: esportivos, básicos, sexys, retrô, bem humorados, requintados, de luxo. E com variedades antes impensáveis, como tecidos que deixam a pele respirar mais livremente, cortes a laser, bojos com gel e recortes engenhosamente pensados.

As mudanças sociais e comportamentais, os novos ícones da mídia, a descoberta de novas tecnologias e a comunicação e marketing envolvidos nas mudanças no modo de ver, sentir e usar a lingerie geraram todas as transformações que vivemos (e que ainda vamos viver).

Ah! A expo em Londres vai até setembro.

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