Adorava ver Chacrinha, quando era pequena. O troféu abacaxi, o “rodarodaroda” e as chacretes preencheram boas horas dos nossos finais de semana lá em casa.

E, das chacretes, claro, a que ficou na memória foi a Rita Cadillac. Primeiro, porque ela sempre foi a que mais chamou a atenção, tanto pelo derriére, quanto pelo excelente apelido. E depois porque ela foi a única que continuou se fazendo presente na mídia, pelas apresentações nos presídios e pelos diversos shows por aí.

A história da chacrete vai poder ser vista nos cinemas dia 9 de abril no documentário Rita Cadillac – A Lady do Povo, de Toni Venturi. Pegando esse gancho, a TPM acaba de publicar uma entrevista com ela. Colo aqui alguns trechos:

Você foi “criada” por sua avó e pela Rogéria? A Rogéria foi quem me ensinou a maquiar, a pintar o cabelo, a fazer trejeitos. Ela me ajudou a botar a Rita Cadillac para fora.

Então foi um homem que criou a sua sensualidade.
É, ela via que eu era uma menina que só queria saber do filho e tratou de me ensinar a fazer o lado sexy.

E quando você foi ao garimpo, em Serra Pelada, no Pará, ali sim tinha risco, porque no presídio era tudo controlado. A primeira vez, em 1985, 86, teve um risco. Na época eram 60 mil homens. Eu era a única mulher dentro da selva. Tinha uns 50 policiais federais… e 60 mil garimpeiros. Se um fala assim: “Come!”, morriam uns 10 mil, mas iam sobrar 50.

Já sofreu discriminação por ser independente? Sempre. Uma vez aluguei um apartamento e as mulheres não deixavam os maridos entrarem no elevador se eu estivesse lá. Não sou nada daquele símbolo que criei. Tanto que é raro você me ver numa festa. Eu gosto de sair com as cachorras, vou à praia, fico em casa vendo TV até dormir, não consigo dormir no escuro.

Como está sendo envelhecer? Natural. Vou fazer 56 numa boa. Acho que a gente tem que saber criar as rugas. Mas, se eu acordar amanhã e quiser dar uma esticadinha, vou dar. A única coisa que fiz foi colocar silicone.

Por quê? Acordei um dia e disse: “Mas que ovo estalado, hein, Rita?”. Quer botar um decote e não aparece nada. Mas você tem que saber quando passou a sua fase. Não dá para chegar num show e disputar com uma menina de 18 anos com tudo lá em cima.

Quando você olha tudo o que viveu, o que sente? Orgulho. De uma menina que foi criada sem pai nem mãe, que superou tudo sozinha sem depender de nada e se tornou uma pessoa íntegra, batalhadora, de caráter.

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