Os 40 anos de carreira de Marina Abramovic são tema da mostra The Artist Is Present, em cartaz no MOMA, com cerca de 50 trabalhos, entre fotos, vídeos e reencenações de performances da artista.

Quando fiz o curso de História da Arte Contemporânea, com Pedro França (um dos melhores professores que já tive), fiquei realmente impressionada com o trabalho dela. Por váriosmotivos: visceralidade, condução da verdade pela performance e desafio do limite e da consciência.

Rythmo 0 (1974)

A artista iuguslava usa o corpo e o diálogo dele com as coisas ao seu redor como instrumento de expressão. Em Rythmo 0, o espectador podia escolher dentre objetos disponíveis em uma mesa e usá-los como quisessem em Marina. Os objetos eram: revólver, bala, flor,  faca, mel, uvas, pena, chicote e escalpo. Um deles apontou a arma engatilhada para a cabeça da artista. A interatividade, a surpresa e a força crua das entrelinhas fazem parte de seus trabalhos, muitos feitos em parceria com Ulay, com quem foi casada por muitos anos.

Mariana e Ulay em Imponderabilia (1977), durante um festival de performances, em Bologna. Ao deparar-se com a dupla, o público tem que fazer uma escolha: como entrar? Para quem olhar? Para onde virar?

Em Rest Energy (1980), Ulay aponta a flecha para o coração de Marina. O som dos batimentos cardíacos um do outro podiam ser ouvidos por um microfone. A performance durou 4 minutos e 10 segundos e refletiu a total confiança dela nele.

A relação entre os dois, o romance fora de parâmetros, a extensão pessoal, passional e profissional também foi uma das coisas que me deixou impressionada, assim como o fim  performático de sua união. Em 1988, após 8 anos tentando autorização para performance na Muralha da China, conseguiram e, então, cada um foi para um extremo dela, de onde passaram a caminhar sozinho ao encontro do outro. A idéia era, ao se encontrarem no meio, se casarem. Mas, ao seu encontrarem, depois de três meses e 2.500 km, se abraçaram e disseram adeus. Foi o último trabalho que fizeram juntos.

Durante o horário de visitação do MOMA, a própria Marina apresenta a performance que dá nome a exposição (e que pode ser acompanhada pela internet). Se você, assim como eu, infelizmente não pode dar um pulinho básico por lá, vale visitar o site e clicar nos áudios feitos especialmente para a retrospectiva.

A artista encarando o espectador durante a nova performance

Em entrevista para o The Guardian, ela conta que após o dia todo sentada, encarando os outros em silêncio por horas, chega em casa cansada e dolorida. E completa:  “The concept of failure never enters my mind.”

Esse é o trailer para o documentário intitulado Marina, que acompanha os passos e preparativos para a mostra (que fica em cartaz até dia 31):