Há 9 anos, quando André me mostrou a capa de Horses, fiquei hiptonizada pela imagem em p&b de uma mulher, simples, andrógina, com olhar visceral, localizada em um tempo híbrido. Ali, passei imediatamente a ser fã de Patti Smith.Quando ela veio ao Brasil para o TIM Festival ficou claro que tudo que estava naquela foto era exatamente ela: cool sem pretensões de assim ser, naturalmente forte por ter na arte a extensão de seus pensamentos. Tudo muito real.

Essa semana acabei de ler Just Kids, onde ela conta com palavras imensas todo o amor entre ela e Robert Mappletorphe, do dia que se viram pela primeira vez, até a separação com a morte dele, cedo, por AIDS. Os dois passaram por tudo: falta de dinheiro, falta de um teto para morar, trabalhos diversos para sobreviver, a união mal vista pelos pais dele, a arte aparecendo para os dois e a descoberta da homossexualidade dele, seguida pela certeza de que, ainda assim, seriam eternos.

O mais interessante é ler essa história biográfica, escrita pela metade que justamente tem a escrita como talento, entremeada à cena efervescente de NY no final dos anos 60. São citados shows, eventos e encontros marcantes. Estão no livro Andy Warhol (inspiração de Robert), Jimi Hendrix (que morou no Chelsea Hotel na mesma época que Patti e Robert), Janis Joplin (para quem Patti fez uma música), Velvet, Bob Dylan, Burroughs e muitos outros.

E, enquanto você acompanha todo o crescimento da cena underground, as trocas entre artistas de diferentes áreas e tudo isso que a gente usa como referência ser construído, você fica sabendo um pouco mais sobre o backstage de uma história de amor marcante.

Para mim, ficou ainda mais certo que amor é amor, da maneira que for.