O tempo é sinônimo de sabedoria e cada vez mais tento controlar a ansiedade para saber usá-lo de maneira apropriada. Ter tempo para se dedicar a um projeto – seja ele pessoal, profissional ou simplesmente parte do ócio criativo – é o verdadeiro luxo. Não acho ruim termos tanta velocidade a nosso favor, pelo contrário. Só acho ruim o jeito fast foward com que começamos a olhar para absolutamente tudo. Se é maravilhoso poder falar com os amigos do outro lado do mundo pelo skype, resolver assuntos por e-mail em minutos e poder reencontrar velhos conhecidos pelo facebook, sinto falta do capricho que era dedicado a tarefas como escrever uma carta (com quanto cuidado eu escrevia, para não ter que rasurar nada!) e, principalmente, fazer uma roupa.

E é só no tempo e na dedicação que consigo pensar quando vejo criações como as de Madame Grés e Madeleine Vionnet. Definitivamente uma época que eu gostaria de ter vivido são os anos 20 e 30, quando o art nouveau trazia a delicadeza feminina e inspiradora para as construções e design, a época era festiva e o corpo aprendia a ser fluido, depois de anos amarrado ao espartilho. E, depois a sequência no art déco e suas linhas puristas, geométricas, mas intrigantes. No guarda-roupa, eu teria os Chanéis. Mas, para as festas, Vionnet e Grés. Na veia.

As franjas formando desenhos no Vionnet de 1938

Vionnet, 1938 - ela foi a precursora dos enviesados e para isso encomendava tecidos com 2m de largura. Cetim, gabardine e crepe eram os tecidos preferidos e pouco usados na época, o que garantia o olhar avant-garde de suas criações.

Vionnet, 1922 - Uma das fãs dela era Isadora Duncan, bailarina famosíssima. Também, quem não queria esse movimento incrivelmente rico pra vida?

Vionnet, 1938

Vionnet, 1938 - Esse tava bom pra mim

Se Vionnet era a rainha do enviesado, Madame Grés olhou lá para trás, para a Grécia, para criar os drapeados mais incríveis ever. Assim como Vionnet trouxe tecidos que não eram muito explorados, Grés apostou no jersey como favorito e nas cores off white e gelo. Junte a cor ao caimento pesado e com brilho do tecido e pronto: qualquer uma se sentia a própria diva mitológica.

Olha esse busto drapeado! Afe!

Grès, 1958

Grès, 1935 - não parece saído de um conto?

Grès, 1954 - atemporal!

 Passou mal? Eu passei. E sempre passo.