Confesso, para desespero de André Mansur, que eu não curto David Lynch. Confesso, admito e reafirmo. Acho os filmes chatos e forçação de barra para parecerem surreais. Mesmo. Mas, uma coisa inegável é que as imagens são incríveis! E é justamente uma cena de Mulholland Drive que inspirou Lynch a abrir a boate Club Silencio, em Paris. O suspense já começa na entrada: para se chegar no Club, primeiro tem que descer seis lances de escada, já que ela funciona no porão da 142 rue de Montmartre, local repleto de histórias – há rumores de que Molière foi enterrado ali, e Émile Zola teria imprimido o famoso artigo J’Accuse no porão da casa. O espaço tem 2100 m² e conta com cinema, palco, sala para fumantes, biblioteca e salas reservadas dedicadas a uma temática ou mood. Segundo o que li no face, Lynch será o anfitrião da apresentação de filmes de arte e performances, com temas desenvolvidos pelo próprio.

O diretor cuidou de todos os detalhes do estabelecimento e desenhou a maior parte dos móveis, inspirados pela década de 1950 (amo). As cadeiras foram criadas para “induzir e manter um estado específico de atenção e abertura para o desconhecido”, segundo Lynch.

A anuidade de Silencio varia entre €420 para sócios abaixo de 30 anos e não-residentes do país, e €1,500 para o título premium. Já o título-padrão custa €780 por ano. Silencio abre para os membros a partir do dia 6 de outubro e vai funcionar diariamente. Até meia-noite o club será reservado exclusivamente para membros e seus convidados, que poderão desfrutar de acesso ilimitado a concertos, filmes e outros espetáculos.