Sabe quando o dia está pesado, você também, e aí você pensa: acho que tudo o que eu preciso é ver coisas bonitas? Bom, foi assim que me peguei na exposição do Robert Doisneau, no Centro Cultural Justiça Federal. Eu, que só conhecia uma foto dele, me peguei emocionada com tantos registros…

Essa era a única que eu conhecia

Bom, comece pelo doc, que dura cerca de 1 hora –  tem que ver para entrar em cada foto e automaticamente sentir tudo que ele fala. Segundo Doisneau, não é o fotógrafo que constrói a foto e sim, a vida, o dia a dia, o acaso. Ele relata momentos onde passou um dia em frente a uma praça ou escola, esperando as cenas acontecerem para registrá-las. O discurso é sedutoramente modesto e real, fruto de um olhar atraído pelas sensibilidades e alterações de cenários suburbanos, democráticos, inocentes e verdadeiros.

O mais interessante é que ele circulava por diferentes cenários e convivia com diferentes pessoas: de um homem conhecido por ter o corpo todo tatuado (que terminou condenado à morte) a Picasso. Mas, só era feliz com os balés da realidade e as histórias realmente verdadeiras. Me diverti na hora em que ele dizia o horror que tinha sido cobrir um desfile de moda. “Que gente cruel!” – ele dizia, para em seguida, rir e relatar que esperava as pessoas fazerem a cara mais feia para fotografá-las.

Bom, depois de tantas histórias simples e registros únicos, ganhei não só meu dia. Ganhei inspiração pra muitos anos…