As ruas de SP são daquelas que fazem a gente entrar em conflito com o tempo e depois se arrepender de não ter aproveitado mais cada minuto ou ter ficado mais um (dois, três, quatro dias)… Mas, achei uma horinha rara entre reuniões para respirar e como por lá o que não falta é opção cultural, fui ao MASP.

Bom, expo no meio da semana é aquela coisa: alunos barulhentos com seus caderninhos em mãos, famílias em busca de novidades e muitos aproveitando a hora do almoço para sair um pouco de um ambiente de luz fria e paredes limitadoras. Acho divertida a confusão de interesses, o conflito de olhares e a harmonia que no final das contas existe, sempre, num ambiente de exposição.

Comecei pela expo Roma, com cerca de 200 artefatos, entre esculturas de deuses, sarcófagos, utensílios domésticos, móveis, armas e roupas de gladiadores e as sempre incríveis jóias. O que sempre me impressiona é o aproveitamento e deleite do tempo, que fica óbvio na construção dos detalhes, na delicadeza em transformar cada item do dia a dia único. A nossa pressa de hoje acabou com esse cuidado, a dedicação e deleite de cada trabalho, a busca da perfeição dos acabamentos, o embelezamento do entorno… se antigamente os recursos eram poucos e mesmo assim conseguia-se talhar folhas de ouro em torno de um pequeno brinco, por quê hoje não aproveitamos os recursos das ágeis ferramentas para deixar tudo ricamente trabalhado?

Deusa Ísis - acho sempre impressionante a capacidade de transformar o mármore em praticamente um cetim...

Não é demais?

Depois dessa visita a um ambiente onde a realidade sonhada era traduzida nos detalhes, um mergulho na subjetividade e na metafísica de De Chirico. As obras vieram da Fondazione Giorgio e Isa de Chirico, sediada em Roma, a mais importante instituição detentora dos trabalhos do artista.

Sole sul Cavalletto

A expo é dedicada ao “sentimento da arquitetura” e traz esculturas e pinturas de diferentes fases do artista, sendo a parte mais instigante as salas onde a mescla entre cidades e homens é exposta. Segundo de Chirico, a arquitetura e o imaginário visual são formas de entender a vida. 

Para fechar, as fotos da Coleção Pirelli 2012, com nomes como Pierre VergerGeraldo de Barros, Miguel Rio Branco e Mario Cravo Neto.

O abstrato nas imagens incríveis de Geraldo de Barros

E a realidade quente e áspera de Miguel Rio Branco

A respiração pausada e iluminada de Mario Cravo Neto