Quando vejo a velocidade das coisas, da mídia, dos ons e offs, me vejo correndo junto, mas, ao mesmo tempo, observando e pensando na corrente contrária. Não sou saudosista há ponto de achar que what’s app, facebook e e-mails acabaram com as relações de amizade. Acho que são apenas novas formas de comunicação e que, sim, elas não substituem o contato físico, mas complementam. E são ótimos complementos, por sinal. Mas, ao mesmo tempo, me pego – e aí vem o lado saudosista – super a fim de mandar uma carta para alguém. Ou de marcar em algum lugar e em vez de ligar para dizer “cheguei, onde você tá?”, realmente procurar a pessoa.

Dentro dessa onda, uma coisa que eu sinto falta são os bons comerciais de TV. A impressão que tenho é que depois que proibiram os de cigarro e bebida alcóolica, não sobrou nada bom, ainda que puramente pelo lado estético. E em vez de prenderem nossa atenção com sacadas bem boladas, a apelação vai para personalidades tão instantâneas – e de mau gosto – quanto um miojo e a falta de inteligência em explorar pessoas e textos interessantes. Será que realmente hoje a maioria valoriza o superficial ou será que nos enfiaram o superficial goela abaixo e a gente se acostumou?

Propaganda Free - o impresso como ótima extensão do comercial da TV

Bom, quando começou a moda dos reality shows – sucesso inegável – eu pensei: meu deus, para ver a vida de outra pessoa dessa maneira só se fossem pessoas tipo Fernanda Montenegro, Zuenir Ventura… pessoas que você olha e pensa: “caramba, se eu tivesse a honra de conversar com ela por pelo menos uns dez minutos…”. A curiosidade em cima do outro, a fofoca, a conspiração, a disputa existe desde Adão e Eva. Mas, isso tudo pode ganhar um cenário bem mais interessante e inteligente do que vemos por aí.

Estou falando isso tudo porque hoje vi um comercial do Burger King, dos anos 70, com o meu idolatrado Andy Warhol. Se você conhece um pouco sobre Warhol,  você vai entender a conexão inteligente entre marca, produto, personagem escolhido, cenário e narrativa.

Queria ligar a televisão e ser surpreendida por algo assim…