Essa semana, o Circulador virou cinéfilo. A inspiração foi necessária para dias turbulentos e valeu à pena a imersão em tantos roteiros diferentes uns dos outros. Depois de Drive e Um método perigoso, assisti a The Sunset Limited e Para Roma com Amor.

The Sunset Limited volta para aquela história que eu adoro: um cenário, um diálogo de duas horas. Sempre fico impressionada com o poder das palavras e a aposta na interpretação quando me deparo com o desafio de não se valer de imagens sedutoras e, sim, de pessoas hipnotizantes. E, nesse caso, estamos falando de Tomy Lee Jones e Samuel Jackson. Ponto.

Na trama, o evangélico e ex-presidiário Black (Jackson) impede o professor ateu White (Jones) de se jogar na frente de um trem do metrô do Harlem, o Sunset Limited. Começa então a história com os dois no apartamento de Black – que se recusa a deixar White sair – discutindo vida, morte, fé. (E no final, quem disse que fé quer dizer religião?)

“If people could see the world for what is truly is, see their lives for what they truly are without dreams and illusions, I don’t believe they could offer the first reason why they should not elect to die as soon as possible. I don’t believe in God. Can you understand that?”

Saindo desse clima tenso, entra o divertidíssimo Para Roma com amor, do neurótico apaixonante Woody Allen. A sensação é que o passar das décadas fez o diretor manter suas loucuras peculiares como ápice da narrativa, ao mesmo tempo em que mostra na tela construções de relações pessoais com lentes simples e leves.

A trama traz várias histórias que falam sobre amor e sobre fama. Em uma delas, um casal  (Woody Allen e Judy Davis) viaja para Roma para conhecer a família do noivo de sua filha. Quando Woody – um diretor de ópera aposentado e frustrado – se depara com o pai do noivo, encontra nele um talento para ópera e faz de tudo para que isso vire realidade. O episódio é o mais engraçado de todos.

Ele, um diretor aposentado. Ela, psicóloga (que vive analisando-o).

Na outra, um homem comum (o ótimo Roberto Benigini) passa a ter status de estrela de cinema de um dia para outro, com paparazzis e repórteres o dia todo seguindo-o, transformando em pauta todos os seus atos.

Por ser um homem comum, as pautas giram em torno de qualquer coisa que ele faça: o que come de manhã, como se barbeia…

Um terceiro episódio fala de um arquiteto famoso (Alec Baldwin) que visita a Itália com um grupo de amigos e depara-se com um estudante de arquitetura (Jesse Eisenberg). Não demora para que o primeiro comece a dar conselhos amorosos ao rapaz, que se vê envolvido em um triângulo amoroso com a namorada (Greta Gerwig) e a melhor amiga dela, um atriz iniciante (Ellen Page).  Não se sabe durante o filme se Alec é visão de Jesse ou vice-versa. 

Por último, temos dois jovens recém-casados que se perdem pelas confusas ruas de Roma e vêem seus desejos por outras pessoas aparecerem de forma bem inusitada. Enquanto ele (Alessandro Tiberi) se vê às voltas com uma prostituta (Penélope Cruz), ela (Alessandra Mastronardi) se envolve com seu ídolo, um ator famoso e cheio de artimanhas sedutoras-canastronas (Antonio Albanesi).

 O trailer:

A vontade é pegar um vôo e ir direto pra Roma…