Comer é uma das coisas que mais gosto de fazer. Não só pelo prazer imediato da comida em si, mas, sim, pelo entorno. Cozinhar para amigos e recebê-los com mesa farta, sair para jantar em um lugar novo, provar sabores excêntricos em uma mesa com alguém que se ama – tudo isso é uma diversão interessante. Ao redor de uma mesa, confissões são feitas, suspiros indicam segredos… ao mesmo tempo, palavras são suprimidas por sobremesas ou transcorrem uma tarde toda, sem nem sentirmos.

Por isso tudo amei o filme 18 comidas. A começar, espanhol é minha língua preferida. E a meu ver todos os diálogos ganham nuances ao mesmo tempo divertidas e dramáticas, nessa língua. O filme coloca na mesa desayuno, almuerzo y cena. E, para cada refeição, histórias que vão além dos pratos: de um casal de velhinhos que nada fala à mesa, ao desentendimento – e perdão – entre irmãos, na hora de um deles revelar um segredo, passando pela mesa animada de amigos que resolvem se embebedar por todo o dia. Tudo sensivelmente registrado.

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Luis Tosar – incrível

De todos, meu diálogo preferido se passa em um almoço entre uma mulher casada e um amigo que não via há anos. Na mesa, muitas verdades reveladas, com pausas, mas sem medo. De um amor secreto vivido há anos – e nunca concretizado, mas agora confirmado em palavras – à certeza de que a vida é para ser vivida, mas com a gente sempre viva. Quem ver o filme, vai entender…

O trailer está aqui: