Depois que você passa dos 30, se toca que faz sentido aquelas frases que lia em algumas matérias bobas de revistas femininas sobre “não trocar a cabeça de 30 por nada“. Bom, saber quem se é, saber que tem defeitos e qualidades e assumir ambos e, acima de tudo, sentir uma tranquilidade acima do bem e do mal (seria um estado avançado de consciência?) são os maiores prêmios que tive pelas escolhas que diz durante os dias, meses e anos que passaram.

Estou prestes a fazer 34 e todos esse pensamentos têm sido recorrentes. Ainda tem (ainda bem) muita coisa ainda para conquistar, muitos brindes para fazer, malas pra arrumar, amor para viver. Mas, acima de tudo, fica pairando essa estranha-inquietante-deliciosa-obediente tranquilidade de aceitar o irrevogável – o que considero a maior dádiva da minha fase balzaquiana.

Isso tudo foi de alguma maneira sintetizado na minha cabeça japonesa quando vi Shut up and Play The Hits, o doc que registra o fim da banda LCD Soundsystem,  mesclando em uma ótima edição situações íntimas vividas por seu líder, James Murphy, até o último show, no Madison Square Garden, que uniu 18 mil fãs.

No filme, ele conta em como sempre quis ser “cool”, fazer parte de uma cena musical, quando jovem… e de como, de repente, aos 38 anos, estava lançando um álbum de sucesso, fazendo turnês, viajando e concretizando sonhos. E de como de repente os cabelos brancos apareceram na barba e ele percebeu, aos 41, que ainda não tinha filhos e que nesse ritmo, quando ele olhasse, a vida passaria e ele não teria tido o tempo nem de curtir coisa normais e que ele adora, como fazer café.

 

Enfim, acho a banda foda, o show deles no Circo foi um dos melhores que já vi na vida, e a certeza que fica é que se Murphy só fez sucesso mais velho, porque tudo estava mais consistente: desde a certeza de quem ele é e o que quer, até o projeto e escolha da banda, até a atitude corajosa de parar no auge (e que ele diz em uma entrevista que talvez, no futuro, ele possa dizer que foi o único erro do LCD: ter parado).

Muphy,❤ u.