Quando resolvi fazer Jornalismo, apenas alguns amigos médicos do meu pai lamentaram o fato da filha não seguir os caminhos das roupas brancas, dedicação árdua e noites em plantão. Mas, quando resolvi fazer Moda, as interrogações foram de toda a parte. Desde questionamentos ótimos do tipo “e o quê você fica fazendo na aula??” – ao que eu, mau humorada como vocês devem imaginar, respondia que “nada, só fico desenhando” – a comentários do tipo “nossa, mas moda é muito fútil, né, não?“.

Enfim, quando entrei para Jornalismo, já entrei querendo escrever sobre Moda. O que sempre me atraiu foi o lado histórico e comportamental. Incrível você saber que as saias encurtaram e se ajustaram, na época da Segunda Guerra, porque, além de não ter tecido suficiente para esbanjar por aí, as mulheres assumiram fábricas, então, o visual tinha que ser prático – nada de correr risco de tecido enroscando  nas máquinas. Isso tudo deu sequência ao ready to wear e ao famoso new look, de Dior, em 1947.

Com a escassez de tecidos, a viscose e o rayon foram os mais usados no período

E as estampas, mil cores e vibe étnica nos anos 70, refletindo todo espírito libertário, escapista, misturado, lisérgico?

muitas cores e escapismo para dizer o “make love, not war”

E nem preciso citar aqui a subversão, a contestaçnao e o não ao ordinário do punk, com seus alfinetes, rasgos, o DIY e o tudomuitopreto, agressivo  e fetichista.

a loja da musa vivienne, no auge do punk

Indo lá para trás, Maria Antonieta e seu poder de fazer caravelas na peruca virarem moda e competição, assim como esbanjar luxo em pedrarias, bordados e sapatos feitos especialmente para ela. Opulência pura.

Extravagância no visual, nos bailes e nos gastos com jóias levaram Marie Antoinette a ser odiada pelo povo, que passava fome. O resto da história, a gente sabe: culminou na queda do reinado de Luis XVI, com a morte de ambos, e na Revolução Francesa.

E em contra-ponto a Rainha Vitória instalando a sobriedade pós-luto, espalhando o ideal da castidade suprema nos costumes, na literatura e na moda.

O preto como cor do luto foi popularizado pela Rainha Vitória. Em 1861, depois de perder o amor da sua vida, a rainha perdeu o encanto pela vida e entrou em um luto profundo até 1897.

Enfim, um mundo de histórias onde o jeito de vestir, como sempre, reflete ideologias e desejos.

E você? Que mensagem quer passar hoje?

Pra mim, moda não é simplesmente uma roupa, nunca foi, nunca será. Eu vejo moda como reflexo de uma época. Imagino uma música no fundo, o que acontecia nas artes, o que as pessoas comiam/viam/liam/ouviam, o que elas pensavam, como se organizavam…E aí, a roupa entra como um outdoor do que ela imaginava ser e em que grupo ela se inseria. Um grande outdoor. Adoro poder passar uma mensagem todos os dias, de maneira instantânea.