Um dos livros que estou lendo e adorando é “O Livro do Amor“, da Regina Navarro Lins. Resolvi começar pela parte 2, que trata do sentimento do Ilumismo à Atualidade. Estou quase na metade, lendo sobre o Romantismo. E tudo é muito curioso e levanta uma série de perguntas na minha cabecinha, desde o questionamento sobre até que ponto podermos treinar um sentimento, até a ideia de que, no fundo, toda forma de amar vale à pena, não há regras, cada um na sua, muita coisa em comum.

Ainda restam muitas tradições hoje, como o casamento por conveniência social (quantas pessoas vemos que se casam sem amor e continuam em relações que já acabaram?). Restam também fantasmas, como o medo de ficar sozinho. As dúvidas e expectativas em relação aos parceiros mudaram. Assim como, claro, a relação homem X mulher. Mas, parece que nascemos para formarmos pares. E daí, toda a revolução que vivemos agora, na era da individualidade.

Em um dos capítulos, ela publica uma anotação de Darwin, feita em 1838, quando o autor de A Origem das Espécies tinha 29 anos, pensava-se em casar, mas estava indeciso. Para clarear as ideias, ele anotou numa folha de papel as vantagens e desvantagem do casamento. Achei curioso e compartilho aqui:

Casar/Não casar

Casar
– Filhos (se Deus consentir)
– Constante companhia que se interessará pela gente (uma companheira na velhice), objeto de amor e distração, melhor do que um cão, de qualquer forma
– Um lar, alguém para tomar conta da casa
– Clássicos de música e tagarelice feminina
– Coisas boas para pessoas saudáveis (forçado a visitar parentes, mas uma terrível perda de tempo)
– Meu Deus! É inconcebível pensar em passar a vida inteira como uma abelha operária, trabalhando, trabalhando e, depois, nada
– Não, nem pensar. Imagine viver todos os dias solitariamente num quarto sujo e enfumaçado de Londres
– Pense apenas numa bela e dedicada esposa num sofá, uma boa lareira, livros e música talvez

Não casar
– Liberdade de ir e vir para onde quiser – escolher a vida social. Conversas com homens inteligentes nos clubes
– Não ser forçado a visitar parentes e a se envolver com ninharias
– Ter despesas e preocupações com os filhos
– Brigas talvez, perda de tempo
– Não poder sair à noite
– Gordura e ociosidade
– Angústia e responsabilidade
– Menos dinheiro para livros etc
– Ter muitos filhos requer maior esforço para ganhar a vida (trabalhar demais pode ser prejudicial à saúde)
– Talvez minha esposa não goste de Londres, neste caso a sentença é o banimento e a degradação em meio a gente tola e ociosa

Tendo avaliado os custos e benefícios, Darwin se decidiu. Em 29 de janeiro de 1839, pouco antes de fazer 30 anos, casou-se com sua prima Emma Wedgwood.

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Charles e Emma

Segundo publicações, os dois viveram juntos por 43 anos um casamento de muito apoio e respeito. Emma incentivou-o a publicar A Origem das Espécies, assim como foi defensora das ideias de Darwin, mesmo após a morte dele e mesmo sem compartilharem da mesma religião (o que causou uma crise durante um tempo no relacionamento).

Será que uma conveniência duraria 43 anos? Ou será que era amor?