Tenho uma enorme queda pelo kitsch, pelo cru e pelo que dói o estômago. O que me incomoda me faz pensar. Me faz pensar se o que realmente me angustia é o que sinto/o que não sinto, o que me atrai/o que me repele, o que acho/o que nunca parei para pensar sobre. Esses questionamentos  fazem com que as coisas e momentos não me passem despercebidos. Essa sensação foi a que tive ao ver a expo Debret, de Vasco Araújo, em cartaz na Pinacoteca em SP.

O ponto de partida são os registros históricos de Debret, que viveu no Rio de Janeiro entre 1817 e 1831 e publicou três volumes da sua Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. A partir dessas narrativas, Vasco levanta reflexões sobre cultura, comportamento e identidade no Brasil.

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O trabalho é composto por pequenos conjuntos de escultura recriando cenas inspiradas nos textos de Debret, onde aparecem os elementos: mesa de madeira, inscrições de fragmentos de textos do Padre António Vieira, ovos de madeira pintados (inspirados nos mecanismos dos Ovos Fabergé) e figurinhas de homens e mulheres retratando os diversos tipos e níveis de relações entre brancos e negros e brancos e índios no Brasil colonial.

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A expo fica na Pinacoteca até 25 de agosto e, segundo li nesse site, “o projeto Debret poderá ir ao Rio de Janeiro, no segundo semestre de 2013, para apresentação no Museu da Chácara do Céu, onde está exposto um importante conjunto de aquarelas de Jean-Baptiste Debret e que são os originais das gravuras em metal publicadas na Viagem Pitoresca. Deste modo, a intervenção de Vasco Araújo será, assim como na Pinacoteca do Estado, de grande pertinência à sua coleção e ao estudo deste período histórico do Brasil”.

Tomara.

Leia mais sobre a expo na Deli.