go writers_cris lisboa

“Você tem que conhecer uma amiga minha que você vai adorar. Ela é ótima, divertidíssima, tem uma gargalhada maravilhosa” – foi a primeira coisa que ouvi sobre a Cris Lisbôa, há mais ou menos uns 8 anos, pela Andrea del Fuego. As duas vieram ao Rio, para uma Bienal do Livro onde Andrea participaria de uma mesa de debates. E, claro, adorei a Cris. Rimos muito, criamos automaticamente uma piada interna (abana o Chico) e nunca mais perdemos contato.

Na época a Cris trabalhava em agência e cuidava da Fina Flor, a sua editora – a mais linda do mundo, vale dizer – que fazia livros-fetiche, com tiragens limitadas e acabamento artesanal (dentre eles, Se um Cão Vadio aos Pés de uma Mulher-abismo, do Xico Sá e  Nego Tudo, da del Fuego). O tempo passou, ela pegou vôo São Paulo-Porto Alegre e nesse trajeto, continuamos fazendo questão de cruzar destinos.  Foi ela quem me chamou para escrever uma matéria para a Simples, de onde foi editora e foi ela também quem me convidou a ser colaboradora da Noize.

Depois de longos anos sem abanar o Chico pessoalmente, combinamos um reencontro. Saímos para basicamente rir, falar e comer, três coisas que gostamos muito, e Cris me contou que estava lecionando em faculdades, em cursos pequenos ou grandes, em aulas  direcionadas para jornalistas ou abertas a todos que amam a palavra. E que ela havia descoberto que era esse o seu amor e que a ele dedicaria todo seu tempo:  dar aulas. Logo depois nascia o Go, Writers, uma oficina para quem usa a palavra como matéria-prima.

Esse final de semana, o Go, Writers (powered pelos super meninos da Cool How) veio ao Rio para dividir com 20 cariocas alguns caminhos e ideias itinerantes. A proposta não é dar fórmula mágica, mas, sim, orientar cada um na busca da forma de escrever, libertando o processo criativo. Além de exercícios, ela dá exemplos práticos de construção de texto, cita pensamentos, decupa textos e indica livros de diversos gêneros. As informações são trocadas de maneira ágil, esperta e consistente, do tipo que te faz ficar pensando em tudo que ouviu durante um bom tempo. São 10 horas de aula. E várias depois de reflexão (me encontro nelas até o presente momento).

Só para matar a curiosidade de quem lê, entre os exercícios, Cris pede que a gente faça uma lista de alumbramentos (situações que te deslumbraram a ponto de fazer você mudar seu ponto de vista). Fiz uma com 7 itens e a ideia é que ela siga ganhando enxertos a todo momento – ainda tenho muito com o que me alumbrar. Hoje mesmo já incluí um novo:  a Cris. Por quê? Porque ela é dessas que nos leva até a beirada do trampolim. Mas, pula junto com a gente. E de mão dada.

faltou um "s" nas esquinas, mas essa sou eu.

faltou um “s” nas esquinas, mas essa sou eu.