O melhor do Festival do Rio pra mim sempre são os documentários de música. Foi por conta do evento que vi  os incríveis Upside Down: The Creation Records Story (sobre a gravadora que lançou bandas como Primal Scream e Oasis) e o New Order Story. O meu escolhido para esse ano foi She Said Boom: A História do Fifth Column. Eu nunca tinha ouvido falar sobre a banda, mas bastou eu ler e “influenciou Bikini Kill” preu comprar o ingresso. E valeu à pena.

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O doc conta a história da banda post-punk de Toronto, formada só por mulheres, nos anos 80. Irreverentes, com cortes de cabelo não-esperados, looks estilosos e atitude gay friendly, as meninas do Fifith sofreram preconceito por não se encaixarem nem no cenário punk  – “sempre muito hetero”, como uma delas descreve –  e nem no cenário gay – “que era muito chato” – outra completa. Nesse limbo entre um e outro, mas preocupação em se encaixarem em padrões, seguiram lançando álbuns e fazendo shows, tornando-se referência para riot bands que viriam depois. “Ter uma banda só de mulheres naquela época já era por si só um ato político”, contam.

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A vontade de dividir as inspirações não parava na música. GB e Caroline, duas das integrantes,  fizeram um zine chamado HideZine, que vinha com uma fita cassete com músicas de banda underground, dentre elas, claro, do Fifith. Elas chegaram também a participar e fazer filmes e clipes, inspirados em Warhol. Para completar a ousadia, contavam a participação de Bruce LaBruce – um go-go boy – dançando no palco durante os shows. Bruce aparece no doc, assim como Kathleen Hanna (ex-vocal do Bikini e Les Tigre) e a super divertida Vaginal Davis, artista performista.

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Em 1992, o Fifth lançou o controverso single All Women Are Bitches (inspiradas por uma frase do filme de terror A Maldição de Kathy). Logo depois, a banda foi convidada a tocar no Kumbaya Festival, com a condição de que não escolhessem essa música. Maaas, sabendo que ao vivo não poderiam ser cortadas, mandaram ver, dividindo a platéia entre euforia e choque, como se pode ver no doc.  Por conta disso, foram proibidas de tocar para sempre no festival, mas All Women Are Bitches seria eleito pelo jornal londrino Melody Maker o “single da semana“, o que as rendeu muita mídia e uma turnê. A música é realmente ótima, olhaê:

Dá vontade de voltar umas décadas no tempo…