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Autorizado pela Andy Warhol Foudation, o calendário de parede inspirado no artista foi produzido pelo estúdio Pentagram pelo terceiro ano e inclui um mix de trabalhos não muito conhecidos, trabalhos raros e trabalhos icônicos. Para 2013, a criação foi centrada nos impressos de Warhol com foco no hedonismo e sensualidade.

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Dentro, um poster da famosa Cow Walppaper (Pink on Yellow) de 1966 – pronto para ser emoldurado -, com a seguinte frase de Warhol atrás: “Isn’t life a series of images that change as they repeat themselves?

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O estúdio também criou a versão em agenda, com texturas que remetem às dos impressos em silk.

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Tudo para contar direito os popdias do ano.

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The Artist is Present é o documentário sobre o trabalho da musa Marina Abramovic. Quando conheci seu trabalho, em uma aula do Pedro França, fiquei realmente emocionada e inspirada. Falei já sobre isso aqui e aqui.

Depois de ver o documentário, ficam mais claras as ideias, as motivações, os porquês da intensidade da artista. Ela atribui quase tudo à sua criação rígida e a sentimentos de infância (como a ausência de carinho materno). E fico eu me perguntando se realmente não é sempre assim: expomos o que somos. O tempo todo.

A Deli também fez um post sobre os sentimentos levantados no doc. Vale ler!

Quem ama café sabe o prazer que envolve a pausa para o seu preparo, desde pegar a cafeteira, até separar a caneca, sentir o cheiro dele ficando pronto e, finalmente, tomar . O melhor café para mim é o do despertar. Antes dele, não sou ninguém. O de fim de tarde, acompanhado do pão na chapa também é dos que fazem a gente pensar que a vida é boa e simples. Sim, o café para mim é contemplativo – como o chá é para muitos.

Os designers israelenses David Budzik e Adi Schlesinger elevaram a experiência para o grau científico e criaram a “laboratory espresso machine“.

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A máquina foi criada para obedecer ao timing exato de uma dose única e perfeita de expresso, com manuseio possível por um consumidor normal.

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Ela funciona com cápsulas de expresso e responde a leis da física como ao efeito venturi  e leis de termodinâmica. Feita de  vidro reforçado e polímeros, a máquina conta com uma estrutura de alumínio e um barômetro de estilo clássico. O mecanismo usado na parte que impulsiona as cápsulas foi baseado na estrutura das armas automáticas.

Os sketches

Os sketches

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Ela foi desenhada para ser feita a partir de cortes de laser

As estruturas são móveis e construídas em torno de um pólo

As estruturas são móveis e construídas em torno de um pólo

Vai um cafezinho aí?

O último destino foi Berlim, outra cidade que todos diziam que eu ia amar, talvez até mais que Londres. Ainda não sei responder essa questão – porque não sei se dá para comparar e eleger uma -, mas, de fato, é outro lugar que te faz querer ficar pelo menos 1 mês nele se perdendo pelas ruas, galerias, bares e pessoas.

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Antes de ir, um amigo disse: “Berlim é a terra do foda-se”. Diante dessa apresentação, já comecei a  pré-amar a cidade.

esse outdoor pra mim ilustrou super bem o clima "foda-se land"

esse outdoor pra mim ilustrou super bem o clima “foda-se land”

Ficamos no Mitte, num apto super bem localizado (tks, Airbnb e GreatStay) que nos permitiu fazer tudo a pé. Ouvi muitos alertas de “nossa, vai estar muito frio, se prepara”, mas a verdade é que estava bem tranquilo nos dias que passamos por lá e eu amei sentir o frio que a gente nunca tem por aqui.

A cara de recente pós-guerra ainda toma conta do lado Oriental – o único lado onde vale à pena circular, já que o ocidental, como meu kraft amado Sérgio me disse e confirmei, é como qualquer outra cidade. São prédios de concreto, acizentados, duros, misturados a portões grandes grafitados e, em volta, por trás e pelo lado, muita natureza. Por trás de cada muro ou grade meio fudida, tem uma árvore, plantas….contrastes muito lindos, principalmente no inverno quando as folhas ganham cores que não vemos aqui: amarelas, rosas, vermelhas, marrons e verdes berlinenses.

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Assim como eu ficava louca com os banheiros dos pubs em Londres, minha pequena obssessão em Berlim era com os portões todos grafitados e/ou com poster colados e/ou descascados das casas e prédios. Adorava também ver plaquinhas e sinalizações como essa logo abaixo:

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Pegamos dois dias com luzes lindas de final de tarde, do tipo que me fez agradecer por poder estar ali, naquela hora, com duas grandes amigas da vida. Sério.

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E aí, enquanto você anda por ruas tranquilas, planas e feitas para se passear (a pé ou de bike, como a maioria das pessoas), pode curtir os currywursts, bratwursts ou bockwurts-delícia com uma Berliner. E depois, dar aquele rolezão cultural pela Ilha dos Museus, onde fomos no Pergamon e no Neues (onde tem a famosa estátua da Nefertiti, que, aliás, é de babar mesmo). Os domos verdes são uma característica forte na arquitetura de museus e igrejas.

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direto da babilônia essa parede linda, linda, linda

pergamon: lá tem essa parede linda, linda, linda, vinda direto da babilônia

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Os pilares imponentes que antecedem a entrada do Neue

Os pilares imponentes que antecedem a entrada do Neues

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hieróglifos sempre me encantam

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a rica arte islâmica

e direto do egito pra berlin

passeio pelos tempos remotos

E se você quer arte contemporânea, claro que também tem. Muito. O Hamburger Banhof e a Me Collectors Room são imperdíveis e acho que o ponto alto de tudo que fui por lá. Assim como as galerias da Augustrausse e o C/O (onde estava rolando uma expo foda do fotógrafo Joel Sternfeld) e onde tirei uma foto num photobooth americano original de 1962.

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um pedaço de um dos murais no caminho para a sala 1

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outro pedaço

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Entrando na Me, fiquei passé composé com coisinhas estranhas e delicadas, tipo saídas de algum lugar magicamente mórbido e divertido, como esqueletos, mini esculturas de vísceras em porcelana e coisas do gênero. Daí, li sobre essa sala especial e olha só:

Wunderkammer or ‘cabinets of curiosities’ first evolved during the Renaissance to house collections of exquisite artworks (artificialia), rare natural objects (naturalia), scientific instruments (scientifica), objects from foreign lands (exotica) as well as the mysterious and unexplainable (mirabilia). Berlin also had its own art cabinet, which was founded by Prince-elector Joachim II (reigned 1535-1571). However, the few surviving objects have since been dispersed throughout various museums. The Wunderkammer Olbricht at me Collectors Room has revived the old tradition of cabinets of art and curiosities in Berlin. It gives us a deeper insight into the past, and is still capable today of achieving exactly what it did 200-300 years ago: astonishing and captivating an audience.

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sim, é uma pulseirinha simulando ossinhos e o caixão com esqueletinho cute

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No andar de baixo, mais morbidez, mas em outro estilo, contemporâneo. E também muito deboche e crítica. Adoro.

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incrível essa tapeçaria

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E aí, depois de ver isso tudo, te resta, sei lá, tomar uma Berliner, colocar o iPod, sair andando pela cidade, se deixando surpreender por intervenções tipo essa aqui, que estava em vários lugares, e chorar um pouco por ter que voltar pra casa. Já com gosto de quero mais. Muito mais.

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Vale baixar o app da Time Out para dicas de coisas para se fazer por lá. E para entrar no mood, o blog Crônicas de Berlin e o insta Berlinstagram. Os dois estão também no face aqui e aqui.

Você tem que ir para Londres, é a sua cara!” – talvez essa tenha sido a frase que mais ouvi quando o assunto girava em torno de lugares para onde ir, destinos esperados, inesperados, desejados. Depois de Paris, fiquei 7 dias por lá, pouco tempo para entender a roda, o mecanismo, os movimentos como um todo. Mas, o suficiente para me apaixonar. A cidade é cheia de contrastes equilibrados e civilizados. É urbana, cosmopolita, mas mantém um lado histórico fortíssimo. Parece tumultuada vista de fora, mas é muito organizada. Jovem, aconchegante, cheia de ruelas, assuntos, sons e pessoas para se ver e descobrir.

Bom, chegando por lá eu já sabia que não conseguiria conhecer nem 1/3 do que queria. E saber disso foi o suficiente para fazer da viagem um fluxo leve e constante, do tipo: me leva onde for. Nos passeios entre as Zonas 1, 2 e 3 e, fiquei seduzida pelos mercados de rua, onde barraquinhas e cheiros se misturam e você pode ou almoçar em pé mesmo ou fazer as compras para cozinhar para amigos em casa. Fomos em dois mercados: o Borough e outro em Brick Lane.

quanto tomato!

quanto tomato!

até em forma de <3

até em forma de ❤

a moça na maior eficiência pra servir uma fila de pessoas carentes de um wrap de camarão

a moça na maior eficiência pra servir uma fila de pessoas carentes de um wrap de camarão

Diferente das feiras aqui do Rio, esses mercados ficam amontoados de pessoas de todas as idades – mas, na maioria jovens – que fazem disso seu programa de final de semana. Tem comida de tudo que é lugar do mundo: Lituânia, Tailândia e até Brasil (só tinha açaí e sucos. Eu aposto que a tapioca ia bombar em Brick Lane). E tem gente comendo sentada, em pé, ninguém tá nem aí.

Brick Lane: comidinhas, pubs, roupas, tudo, tudo, tudo

brick lane: comidinhas, pubs, roupas, tudo, tudo, tudo

thai food – as moças que serviam eram as mais charmosas mexendo temperos e frutos do mar nas super woks

singapore style

singapore style

nos mercadinhos independentes, bijous, coisas para casa e roupas. essa barraquinha vendia roupinhas para babies/papis roqueiros.

nos mercadinhos independentes, bijous, coisas para casa e roupas. essa barraquinha vendia roupinhas para babies/papis roqueiros.

campanha free pussy riot até nas frutas de brick lane!

campanha free pussy riot até nas frutas de brick lane!

daí, como toda feira tem figuras, esse cara é o mr xadrez, que jogava contra 3 ao mesmo tempo. sentado em uma cadeira com rodinhas, ele ia de um lado para o outro deslizando e dando xeque-mate em geral.

daí, como toda feira tem figuras, esse cara é o mr xadrez, que jogava contra 3 ao mesmo tempo. sentado em uma cadeira com rodinhas, ele ia de um lado para o outro deslizando e dando xeque-mate em geral.

isso chamou nossa atenção. tocava um reggae, em duas caixas de som, enquanto a fumaça saía dessa parada. achamos... conceitual. e rimos. e fotografamos.

isso chamou nossa atenção. tocava um reggae, em duas caixas de som, enquanto a fumaça saía dessa parada. achamos… conceitual. e rimos. e fotografamos.

Depois de alimentados, fomos na Rough Trade. E eu que não comprava um CD físico há pelo menos uns 5 anos, comprei 4 coletâneas da própria Rough, três livros e ainda quase me rendi aos vinis. Tinha Joy Division, tinha New Order, tinha..tinha..TUDO.

perdição. sem mais.

perdição. sem mais.

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e nos rendemos ao photobooth da rough. claro.

e nos rendemos ao photobooth da rough. claro.

Depois, cada um mergulhou em seu devido pint e a felicidade de opções sem fim. Fiquei louca com os banheiros dos pubs. Muita gente me perguntava: “nossa, onde você tirou essa foto?” Bom, era tudo banheiro, gente.

tipo esse

tipo esse

esse

esse

esse

esse

esse....

esse….

tem mais...

tem mais…

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tem mais…

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nesse pub, como dá para notar, só tocava metal. e o banheiro era no mood.

no pub que só tocava metal

ainda no metal

Dando uma pausa no pints, os museus são de se perder. Visitar a Torre de Londres pode ser uma experiência tão incrível quanto se deparar com um Daniel Judd ou um Rothko (detalhe: uma sala só dele) no Tate.

Rothko, meu coração bate forte por você.

Rothko, meu coração bate forte por você.

Judd, por você também.

Judd, por você tambêm.

Susumu Koshimizu

Susumu Koshimizu

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Ao mesmo tempo que você se depara com tanta contemporaneidade de um lado, também se deslumbra em ver coisas de épocas muito antigas multiplicadas, proliferadas, acessíveis, preservadas em tudo que é lugar, centenas, milhares delas. De katanas samurais do período Endo a tapetes islâmicos, portais da idade média ou esculturas romanas.

katanas - como não cair o nipo-queixo?

katanas – como não cair o nipo-queixo?

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essas coisas lindas são tsubas, as guardas das espadas samurais, que ficam entre o cabo e os separadores/lâminas

portões. quando vi isso, uma sala inteira deles, pensei: meu deus, como é que neguinho pensou em guardar portões? que viagem....

portões. quando vi isso, uma sala inteira deles, pensei: meu deus, como é que neguinho pensou em guardar portões? que viagem….

Claro que fui no Victoria & Albert e adorei ver o resumão da história da moda com uns trajes que contam isso ali ao vivo e a cores.

adoro acervos de moda praia

adoro acervos de moda praia

Lanvin, sempre elegantemente ousada

Lanvin, sempre elegantemente ousada.

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vivienne, musa máxima

punk

punk

e ainda tem essas revistas bauhaus

e ainda uma acervo enorme de publicações como essa….

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na esqueda, um jornal dadaísta

câmeras antigas

rádios antigos

e eu amo ver os estudantes fazendo desses espaços o espaço deles

e eu amo ver os estudantes fazendo desses espaços o espaço deles

no museu de história natural, ela anotava atenta tudo o que a professora falava. o jaleco dizia algo como: desbravadora de dinossauros. <3

no museu de história natural, ela anotava atenta tudo o que a professora falava. o jaleco dizia algo como: desbravadora de dinossauros. ❤

Enfim, muita riqueza. Muito esbarrão em histórias antigas e novas. O grande resumo é: você quer comprar roupas bacanas? É possível e tem para todos os bolsos. Você quer comer comida de rua, quer um sanduíche to go ou quer comer num restaurante fodaço? Tem também. Quer tomar um pint das melhores cervejas? Tem um pub a cada dois passos, cada um com seu estilo, mas todos prontos para receber o happy hour e as happy pessoas. Quer ver arte contemporânea, quer ver torres medievais? Também tem. Em Londres, tem tudo. Existe de tudo. Tem todo tipo de pessoas, todo tipo de coisa, todo tipo de lugar, todas as línguas. O convívio é possível, é real, essa é a sensação. E junto uma sensação deliciosa e ampla, de que você pode, sim, usufruir de tudo que o lugar te oferece. Inclusão.

Ah! Sim, Londres é a minha cara.

Roger e Carol, tks por tudo. Ano que vem tô de volta! E Razal, que a gente ainda tome muitos pints together!

Dica: o app da Time Out tem dicas ótimas!

Toda viagem começa com a ansiedade de conhecer o novo, o que a gente nem sabe o que é e um quase pânico de não conseguir ver tudo que se propõe. Bom, a vontade de ver o novo foi na mala e no coração. Já a ansiedade em ver tudo resolvi deixar de fora e fiz a viagem com a ideia de curtir os dias, o tempo, os lugares e as pessoas sem a menor preocupação com o que faltaria ser visto. Afinal, sempre falta alguma coisa. Todos os dias. Até na esquina de casa.

Dos 20 dias, o primeiro destino foi Paris, com minha mãe, realizando um sonho antigo dela. Paris tem um clima encantador de “parei em 1920“. A Belle Epoque parece existir ainda, as pessoas andam devagar, as ruas e céu grande abraçam as caminhadas, as coisas juntas constróem um cenário de um outro tempo. Os prédios são lindos e fazem você pensar em morar neles, a todo momento…ainda que a cidade não seja no ritmo que amo para a vida.

Impressionante a quantidade de pessoas que sabem falar espanhol. Quando eu dizia que não falava francês, automaticamente – isso em banca de jornal, resturante, na rua ou no café – me perguntavam: espanhol? E aí, tudo fluía.

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uhn..acho essas sacadas a minha cara…

o céu enorme perto do sena, a caminho do louvre

o céu enorme perto do sena, a caminho do louvre

os parentes japa eram os mais chiques de paris e fotografavam mais que eu. claro.

os parentes japa eram os mais chiques de paris e fotografavam mais que eu. claro.

mais clássico impossível

visual mais clássico impossível

a famosa pirâmide de vidro

Os museus são o grande passeio da cidade. Perto do Louvre, tem o D’Orsay e o L’Orangerie (nesse, não consegui ir). Mergulho na arte, no tempo e nas construções de cair o queixo. No Louvre, você entra para ver a Monalisa e se depara com o pescoço doendo de tanto olhar pras sancas e pinturas no teto.

Monalisa - a intrigante e sedutora

Monalisa – a intrigante e sedutora – láaa no fundinho

e esse teto? afe.

e esse teto? afe.

Tentei ver Hopper no Grand Palais, mas a fila de espera era de 4 horas. Atravessei a rua e fui no Petit Palais, que tem uma acervo ótimo de objetos Art Nouveau e um jardim desses de passar horas olhando.

no jardim do petit palais

no jardim do petit palais

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Fora os museus, a ideia é calçar as botas, botar o cachecol e sair andando meio sem rumo. Rodando pelos arredores de Saint Germain, perto ali da Notre Dame (linda), dei de cara com a Shakespeare and Company.

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emoção

Shakespeare and Company é o nome de duas livrarias independentes de Paris. A primeira foi aberta por Sylvia Bleach em 1919 e era um local de econtro para nomes como Hemingway, Ezra Pound, James Joyce. Em 41, ela foi fechada pela ocupação alemã e nunca mais reabriu. Em 1957, George Whitman abriu uma livraria com o nome de Le Mistral e renomeou-a de Shakespeare and Company, em 1964, como uma homenagem. A livraria aparece em Antes do Pôr-do-Sol e em Meia Noite em Paris. Do lado, tem um sebo, chamado Antiquarian Books, com esse quadro de giz muito incrível do lado de fora.

porta colada com porta

porta colada com porta

Depois, um passeiozinho pela arquitetura gótica da Notre Dame. Segundo a wikipedia, ” o local da catedral contava já, antes da construção do edifício, com um sólido historial relativo ao culto religioso. Os celtas teriam lá celebrado as suas cerimónias onde, mais tarde, os romanos erigiriam um templo de devoção ao deus Júpiter. Também neste local existiria a primeira igreja do cristianismo de Paris, a Basílica de Saint-Etienne, por volta de 528 d.C.. Em substituição desta obra surge uma igreja romana que permanecerá até 1163, quando se dá o impulso na construção da catedral.” Interessante…

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os ângulos da notre dame, por dentro

os vitrais

os vitrais

e por fora, muita riqueza de detalhes

e por fora, muita riqueza de detalhes

lindo

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Bom, o passeio mais esperado de todos era Versailles, que eu sempre quis conhecer. Você pega o RER e ele chega lá em 40 minutos, quase te deixa na porta. E o lugar? Bom, de desmaiar. Acho que poderia passar minhas férias olhando a vista pelas janelas e caminhando naquele jardim…

os portões imponentes

os portões imponentes

ai ai

ai ai

e a famosa sala de espelhos

e a famosa sala de espelhos

Das lojas que visitei, a melhor foi a Kusmi Tea e a Colette. Da primeira, saí com gifts para a irmã. Na segunda, a perdição foram os livros, cadernos (ambos voltaram na mala), jóias e semi-jóias (essas, infelizmente, ficaram por lá).

a vitrine = i die

a vitrine = i die

e tava rolando o lançamento desse livro: i wanna be me (ótimo nome)

e tava rolando o lançamento desse livro: i wanna be me (ótimo nome)

Para isso tudo, contei com a ajuda dos roteiros do incrível Conexão Paris – leitura obrigatória para quem vai para lá…

Quando resolvi fazer Jornalismo, apenas alguns amigos médicos do meu pai lamentaram o fato da filha não seguir os caminhos das roupas brancas, dedicação árdua e noites em plantão. Mas, quando resolvi fazer Moda, as interrogações foram de toda a parte. Desde questionamentos ótimos do tipo “e o quê você fica fazendo na aula??” – ao que eu, mau humorada como vocês devem imaginar, respondia que “nada, só fico desenhando” – a comentários do tipo “nossa, mas moda é muito fútil, né, não?“.

Enfim, quando entrei para Jornalismo, já entrei querendo escrever sobre Moda. O que sempre me atraiu foi o lado histórico e comportamental. Incrível você saber que as saias encurtaram e se ajustaram, na época da Segunda Guerra, porque, além de não ter tecido suficiente para esbanjar por aí, as mulheres assumiram fábricas, então, o visual tinha que ser prático – nada de correr risco de tecido enroscando  nas máquinas. Isso tudo deu sequência ao ready to wear e ao famoso new look, de Dior, em 1947.

Com a escassez de tecidos, a viscose e o rayon foram os mais usados no período

E as estampas, mil cores e vibe étnica nos anos 70, refletindo todo espírito libertário, escapista, misturado, lisérgico?

muitas cores e escapismo para dizer o “make love, not war”

E nem preciso citar aqui a subversão, a contestaçnao e o não ao ordinário do punk, com seus alfinetes, rasgos, o DIY e o tudomuitopreto, agressivo  e fetichista.

a loja da musa vivienne, no auge do punk

Indo lá para trás, Maria Antonieta e seu poder de fazer caravelas na peruca virarem moda e competição, assim como esbanjar luxo em pedrarias, bordados e sapatos feitos especialmente para ela. Opulência pura.

Extravagância no visual, nos bailes e nos gastos com jóias levaram Marie Antoinette a ser odiada pelo povo, que passava fome. O resto da história, a gente sabe: culminou na queda do reinado de Luis XVI, com a morte de ambos, e na Revolução Francesa.

E em contra-ponto a Rainha Vitória instalando a sobriedade pós-luto, espalhando o ideal da castidade suprema nos costumes, na literatura e na moda.

O preto como cor do luto foi popularizado pela Rainha Vitória. Em 1861, depois de perder o amor da sua vida, a rainha perdeu o encanto pela vida e entrou em um luto profundo até 1897.

Enfim, um mundo de histórias onde o jeito de vestir, como sempre, reflete ideologias e desejos.

E você? Que mensagem quer passar hoje?

Pra mim, moda não é simplesmente uma roupa, nunca foi, nunca será. Eu vejo moda como reflexo de uma época. Imagino uma música no fundo, o que acontecia nas artes, o que as pessoas comiam/viam/liam/ouviam, o que elas pensavam, como se organizavam…E aí, a roupa entra como um outdoor do que ela imaginava ser e em que grupo ela se inseria. Um grande outdoor. Adoro poder passar uma mensagem todos os dias, de maneira instantânea. 

Acredito que todos que trabalham com criatividade precisam ter escapes mais comuns e fundamentais que a maioria dos  mortais. Talvez por isso a maioria hoje dos meus amigos e conhecidos que trabalham com áreas criativas – literatura, moda, música, marketing, design – tem como sonho ter seu próprio negócio. E muitos deles já tomaram esse passo. O principal motivo? Ter controle sobre o tempo e, consequentemente, melhor maturar suas ideias, rendendo muito mais. Hoje, 99% das empresas – ainda as que se consideram demasiadamente livres ou criativas – ainda impõem uma carga horária puxada para qualquer um que vive em um centro urbano em pleno 2012, além de não incentivar projetos paralelos (a começar pela carga que exigem) – ou seja, tudo o que vai contra qualquer fluxo criativo. E tudo que a gente não quer é interromper as inspirações que podem ocorrer às 8h da manhã ou às 11h da noite.

Então, fico feliz quando vejo alguém correndo atrás de realizar seu próprio sonho e entender como é passar para o outro lado e administrar não só o seu tempo, como lidar com o dos outros. O desafio é grande? Claro que é. É fácil? Claro que não. Mas, acho incrível e aposto muito, porque sempre fui das que acredita que toda e qualquer mudança é positiva, desde que ela se torne um aprendizado.

Dei essa volta toda para falar que fiquei muito feliz quando vi  três amigas meterem a cara, o coração e o estômago e montarem suas marcas. A Priscila Amorim montou a Ô (só o nome já não é instigante?). A Raquel Ferraz montou a YES I AM (o nome também é audácia pura, não?) e a Fafi Vasconcellos montou seu ateliê de noivas. O mais interessante é ver que nenhuma enveredou pelo nicho meninas-jovens-que-querem-novas-tendências. Cada uma apostou em uma linguagem e público diferente e cada uma criou uma comunicação para se apresentar.

A Ô foi lançada em um evento no 00, no melhor clima entre amigos. Entre os drinks e a delícia de encontrar conhecidos, um espaço foi dedicado a apresentar, em araras, as peças recém-nascidas – com um mix de materiais impressionante para uma primeira coleção. Ah! Você saía da festa com um catálogo, um moleskine da marca  e se quisesse comprar, era só entrar no e-commerce no dia seguinte. Luxo.

A YES I AM aposta nas peças básicas. Sim, quem não quer uma boa calça jeans e camiseta? Mas, e onde achar? Pronto. Agora você já sabe: na loja online da marca!

Para se apresentar, um vídeo com uma trilha mara:

A Fafi apostou nas Cinderelas urbanas e suas personalidades e desejos distintos para criar vestidos incríveis! No facebook do Atelier, você acompanha todas as novidades.

Inspirador, não? E de verdade.
É empreender para crer.

Ou o contrário?

….

Amo Lego, pela simplicidade genial e os desdobramentos que tomou. Então, hoje “garrei paixão” mais ainda quando vi o vídeo que conta a história do brinquedo engenhosamente incrível, que acaba de completar 80 anos.

Sensualidade estranha, suave e sombria ao mesmo tempo, como se tirada de um conto infantil refeito para adultos. Silêncio e caos entranhados. Sagrado e profano. Acho que assim que eu entendo o trabalho do russo Vania Zouravliov, que, com 13 anos  já exibia seus traços internacionalmente.

Segundo ele, suas inspirações são a Bíblia, A Divina Comédia, os desenhos antigos de Walt Disney e os índios norte-americanos.

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