Arquivos para categoria: livros, entrelinhas e parágrafos

Tem alguns blogs que leio sempre, quase todo dia. Alguns de variedades,  outros de marketing, moda, música e muitos de amigos que vieram da literatura. Destes, meus preferidos são os da Ivana, da Indigo e da Andrea del Fuego . Lendo hoje o da Dea, me deparei com um desafio-corrente, que ela direcionou a 5 autores, dentre eles, eu.

Ela explica:  pegue qualquer livro de sua estante, sem pensar muito. Abra na página 161, corra até a quinta frase e a transcreva no blog

Aqui está:

“Apesar da hesitação, ele não havia preparado nada para dizer.”

Tirei de um dos meus livros preferidos, que estava aqui olhando pra mim na hora:  Reparação, do Ian Mc Ewan. A narrativa ágil e a história aflitiva tornam as páginas obrigatórias. Se não leu, leia.  O filme também é bom. Mas, nada supera as imagens que a gente cria quando lê e percebe os detalhes sob holofote e lupa personalizados.

Passo a corrente para Rafael Rodrigues e Henrique Rodrigues.

Adoro o site Idea Fixa, que reune várias imagens bacanas (fotos, ilustrações, colagens) sob um tema, escolhido por eles. A última delas foi sobre o Desejo. E eu amei esses trabalhos:

patrickwinfield2Patrick Winfield

albertosevesoAlberto Seveso

thaisuedaThais Ueda

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Charrish Ferguson

A novidade é que eles estão selecionando artistas para participarem de um sketchbook que vai percorrer várias mãos, vários traços, sob o tema Viagem. Funciona assim:

“2 sketchbooks viajarão pelas mãos de artistas de várias partes do país. No interior de cada caderno haverá um índice com o nome dos selecionados. Quem recebe deve deixar sua contribuição (vale colagem, ilustração,letterings,fotografias,o que o papel permitir),escolher um dos nomes do índice e enviá-lo pelo correio para que ele continue a sua jornada. O resultado dessa compilação que tem como objetivo fazer um resgate da produção manual, resultará em uma exposição itinerante. E quem sabe um livro?”

Quer saber como participar? Clica aqui.

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Quando vi o busdoor com a imagem da capa de Crepúsculo, na época do lançamento do livro, fiquei bem curiosa. Depois, o vi em várias livarias, com destaque, e achei linda a maçã, a cor da pele das mãos, o holográfico no título, tudo. A Mari Newlands me disse que lá fora ele estava vendendo horrores e que ela estava curiosa para ler. Como a Mari é que nem eu (devora Persépolis, PD James e Crime e Castigo com o mesmo intusiasmo), pensei: uma hora também vou me render – sempre rola aquele preconceito contra os best sellers. Tipo trauma de Paulo Coelho.

Finalmente, me rendi quando vi o cartaz do filme – não queria ver na tela antes de ler. Cliquei e comprei na promoção. Pra quê? Estou total addicted. A narrativa é fácil, prende o leitor e é deliciosamente adolescente. Edward é o vampiro que todo mundo queria ter conhecido quando tinha 16 anos. Se você gosta de chegar em casa e descansar a cabeça lendo, vale à pena. E se você  ainda por cima adora vampiros, aí que têm que ler mesmo. Vou comprar o mais rárpido possível o Lua Nova e o Eclipse (lançado no último dia 16). E, depois, acho que vou fazer que nem a Louise e baixar da internet o livro seguinte, Breaking Down, traduzido e colado na rede pelos fâs.

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Impressionante é constatar que a fórmula (nada fácil de ser concluída, diga-se de passagem) leitura fluida + a inocência + romance + fantasia seduz a todos. Stephenie Meyer, que tem somente 35 anos, já tem sua tetralogia na lista dos livros mais vendidos do mundo. E na Espanha, Alemanha, Brasil, Itália, França e México eles estão em primeiro lugar. Sensacional.

Essa é a capa do quarto livro, que ainda não saiu traduzido (oficialmente) por aqui:

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O Crepúsculo passou seus últimos capítulos acomodado nessa almofada, total combinando com ele.

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Irresistível.

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Esse ano Tim Burton dará continuidade às filmagens de Alice in Wonderland. Pois é, mal posso esperar para ver.

O filme vai usar computação gráfica, captura de movimentos e animação stop-motion (como em A Noiva-Cadáver). O Chapeleiro Maluco será vivido por Johnny Depp; a Rainha Branca, por Anne Hathaway; e Mia Wasikowska será a Alice.

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Essa é uma parceria com o Walt Disney Studio, assim como Frankenweenie (que será rodado na sequência) e os dois serão exibidos em 3D (será que teremos isso aqui também?).

Se você não leu Alice, aconselho comprar a edição comentada da Zahar, que tem Alice Através do Espelho na sequência, com comentários que situam a gente perfeitamente na época em que o livro foi escrito (1865, época vitoriana), explicações de pontos de vista e de vida de Carroll (como ideologias políticas e referências matemáticas) e cheia de páginas com as mórbidas e lindas ilustrações originais de John Tenniel.

A narrativa nonsense e por vezes assustadora me intriga. E pode ter uma interpretação totalmente plausível quando você é criança e outra – igualmente plausível – quando você é adulto.

Segundo o wikipedia, uns dos primeiros ávidos leitores teriam sido Oscar Wilde (faz sentido) a Rainha Vitória. O livro nunca esteve parado (foi, desde seu lançamento, reimpresso várias vezes) e foi traduzido em mais de 100 línguas desde a primeira edição. Essa capa é de uma edição de 1898:

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 Eu estou indo reler.

Há uns anos atrás, apareceu a revista Mosh!, “só quadrinhos roquenrou”. Depois de um tempo, eu e André passamos a escrever nela, fazendo a parte de entrevistas com bandas. E foi lá que conheci o Lyra e sua Menina Infinito.  Logo fiquei viciada, esperando sempre a próxima edição para saber as novidades da menina Monica e ficava triste em ter tão poucas páginas pra ler sobre ela. As histórias da personagem, que tem “20 e poucos anos”, e tem como banda preferida o Teenage Fun Club, se passam em diversos lugares do Rio, como a Matriz e a Baratos da Ribeiro. Quem sabe você já não esbarrou com ela por aí?

Esse sábado é o lançamento do álbum solo da Menina Infinito pela Desiderata, na Baratos, com show da Alice e do Laura Palmer. Depois, ainda rola discotecagem com DJ Ácaro. Vai perder?

Quando pequena, a mesa da sala era cheia de dições de Monica, Tio Patinhas e eu adorava a idéia de ler histórias com desenhos complementados por textos curtos, rápidos e informais, em um formato super prático.  Alguns anos passaram e comecei a ler Mafalda, Calvin e Re Bordosa. Depois, fiquei uns 10 anos sem ler HQs até conhecer Sandman.

  

Instantaneamente, foi criado um vício pelas histórias do rei do mundo dos sonhos e isso se alastrou de uma maneira tal que retomei meu interesse pelas “bandas desenhadas”, só que agora com novas temáticas, indo de guerras e textos-reportagens a máfia, surrealismos e temas fantasiosos. As prateleiras do quarto agora têm Click, Sanctuary, Sin City, Persépolis e quanto mais leio, mais quero conhecer. Mas, claro, existe a prateleira oficial para o Sandman, porque até hoje não vi nenhum outro quadrinho que chegasse perto da genialidade das tramas, capas e referências.

Acabo de ler que Neil Gaiman vem pra Flip e  senti quase a mesma coisa quando soube que ia à coletiva de Vivienne Westwood (quem me conhece, sabe que isso é sério). Bom, já que conheci e fiquei bem perto de Ms. Westwood e quem sabe o mesmo acontecerá com “Neil”, só fica faltando agora o Tarantino.

Se está querendo se desfazer de alguns livros, você pode entrar na onda do bookcrossing. A idéia é transformar o espaço público em uma grande biblioteca: os participantes deixam os livros em bancos de rua, hotéis, restaurantes e qualquer pessoa pode pegá-los. Mas, a coisa toda é organizada: você se cadastra no site e registra as obras que quer deixar na natureza. Você recebe então um ID para cada livro que vai doar e ese número deve ser colado em uma etiqueta ou ser anotado à mão mesmo.  Os organizadores – Ron Hornbaker, Bruce Pedersen e Heather Pedersen -pedem que também seja incluído no livro um bilhete contando mais sobre o projeto e convidando seu novo dono a entrar no site e dizer que encontrou aquele título. Pelo site, os participantes ainda podem se comunicar uns com os outros e combinar trocas de livros pelo correio.

Aqui no Brasil, a prática ainda é nova. A RP Helena Castello Branco consultou os criadores do movimento e fundou uma Zona Oficial de Troca de Livros (OBCZ, em inglês), em SP. A exigência principal é simples: o local precisa ser aberto ao público. Além disso, o voluntário deve acompanhar o movimento sempre que puder e tentar captar novos livros.

Entrando no site, vi que no Rio de Janeiro, atualmente, são 36 livros circulando. A maioria está no Lunático (endereço embaixo), que é uma zona oficial. Dentre as zonas não oficiais estão o ônibus 415 e a Praça Saes Peña. Mas, se liga: o livro que foi deixado na Saes Peña foi um … Sidney Sheldon.

Alguns números do bookcrossing:
(fonte: BBC)

• 662.463 pessoas de 130 países cadastradas
• 3.700 trocadores de livros oficiais no Brasil, sendo que 1.600 são de São Paulo
• 4.688.540 livros registrados
• 25 livros à solta no Rio de Janeiro ainda não foram encontrados ou registrados

Zonas oficiais de bookcrossing no Brasil:

Rio de Janeiro
Lunático Café e Cultura
Rua Visconde de Carandaí, 6, Jd. Botânico
Tel. (21) 3114-0098

São Paulo
Bar e Restaurante Central das Artes
Rua Apinagés, 1.081, Perdizes
Tel. (11) 3865-4165

EL BLOG Y YO

Empecé a escribir esta especie de “notas de ruta” en Octubre, y pienso seguir dando fe de lo que pasa en mi vida en los pocos ratos libres que tenga para escribir. Espero seguir haciéndolo al menos hasta que termine el rodaje. Me servirá de desahogo, y de futuro recuerdo. Y sobre todo, aumentará mi nivel de stress y de angustia, porque literalmente no tengo tiempo ni de “limpiarme el culo”, como diría mi madre. (…) Aunque me ataque los nervios, he decidido escribir este blog a pie de obra, aunque a veces peque de precipitado y arbitrario. Lo bueno de escribir un blog es que nadie puede acusarte de egocéntrico.

O trecho acima é do novo blog de Almodóvar, onde ele pretende relatar passo a passo o nascimento do seu novo filme, Los Abrazos Rotos. Não sei porque outras pessoas interessantes – e distantes de nós – como ele também não fazem o mesmo. Acho que Tarantino e Woody Allen podiam pensar nisso.

Um dos posts é sobre Debora Kerr. Uma amiga da minha mãe a chama de Debora, porque diz que ela era a cara da atriz, quando mais nova. Luxo puro parecer com a protagonista de A Um Passo da Eternidade, aquele filme que tem a clássica cena do tórrido beixo na praia com Burt Lancaster.

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Debora Kerr

Livros feitos de papelão colhido nas ruas. Uma utopia? Não. Verdade. A editora chama-se Eloísa Cartonera e as publicações são feitas de papel comprado de catadores. Enquanto normalmente estes ganham 0,30 pesos por quilo de papel, no projeto ganham 1,50. E os desenhos das capas são pintados à mão por meninos que deixaram de catar papelão e passaram a integrar o Cartonera, ganhando 3 pesos por hora. 

 

A idéia é gerar mão de obra criativa e genuína, sustentada pela venda dos livros, que são acessíveis e vendidos nas ruas, em espécie de performances, além de em algumas livrarias. São publicados materiais da Argentina, Chile, México, Costa Rica, Uruguai, Brasil, Peru, com a premissa de difundir autores latinos. O catálogo conta com obras inéditas de autores como o argentino Ricardo Piglia, o chileno Gonzalo Millán e os brasileiros Haroldo de Campos e Glauco Mattoso. No site, você pode fazer encomenda. Só senti falta de poder ver as capas e ler um pouco de cada livro. O projeto passou por aqui na última Bienal em SP. Achei uma imagem no flickr que dá pra ter uma noção de como era o estande (apesar de que o da foto não é o de SP). Quer saber mais? http://www.eloisacartonera.com.ar

 

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Para comemorar os 20 anos da melhor HQ do mundo lançaram esse peso de livros lá fora.  Que, claro, combina perfeitamente com minha coleção de edições compiladas pela Conrad. A descrição diz: “This limited edition, cold-cast porcelain bookend set includes a full-color Certificate of Authenticity and is packaged in a 4-color box. Each side measures approximately 8″ tall x 6.5″ wide x 6.5″ deep. “O precitcho? $265,99. 

Por quê? POR QUÊ?

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