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Anos 20: uma década que eu queria ter vivido. Só por conta desse desejo de entrar rapidinho na máquina do tempo, Great Gatsby já tinha meu lugar garantido no dia da estréia. Não li o livro e sei que este certamente é bem melhor que o filme, mas o novo longa, dirigido por Baz Luhrmann vale pelo figurino e por Leonardo DiCaprio, sempre incrível.

uhum, o vestido é todo bordado com pedras transparentes, em forma de gotas. cataploft.

uhum, o vestido é todo bordado com pedras transparentes, em forma de gotas. cataploft.

Bom, a história gira em torno do reencontro apaixonado entre Gatbsy, um milionário excêntrico e de rendas duvidosas, e Daisy, uma menina de família rica. As cenas kitsch e over, características de Baz, permeiam toda a trama, onde o que realmente é levantado é o valor das coisas: do dinheiro/poder, da moral, do amor.

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Uma das melhores cenas do filme é a festa no palácio art déco de Gatsby, que nos mostra, sem deixar dúvidas, a riqueza do personagem. No mesmo clima da festança de Romeu + Juliet, também dirigido por Baz (quem viu, sabe do que estou falando), o balacobaco é daqueles que a gente sonha e não conhece ninguém que já tenha ido: música, piscina, roupas e jóias de cair o queixo, bebidas, fogos de artifício  – tem tudo. Ostentação e diversão em forma de matéria. 

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Mas, a coisa que mais me impressionou foi o marketing todo envolvido no filme. Na cena acima, fica clara a parceria com a Moët Chandon, que aparece em todos os momentos, com imensas garrafas com rótulo da época. Tudo a ver. Para prolongar o efeito Gatsby, na semana seguinte, foram divulgadas receitas de drinks usando a Moet como “tema” principal. A marca, um ícone, tem valor histórico e verdadeiro agregado à época e, por conta disso não foi feito nenhum investimento financeiro por parte deles. Incrível.

Continuando as parcerias mais do que bem feitas e trabalhadas, como gringo sabe fazer para aparecer e vender (muito importante essa dobradinha), os vestidos de festa foram assinados pela Prada e os croquis foram liberados antes do filme, causando frisson nas amantes dos 20’s e nas fashionistas de plantão. Uma expo foi criada para expor 40 looks na flagship da marca, no Soho.

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A Miu Miu – a outra marca de Miuccia Prada – assinou os figurinos complementares aos looks festa, como esse vestido-kimono maravilhoso, com estampa art déco.

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A tiara-ícone usada por Daisy  – assim como outras jóias – foi criada pela Tiffany&Co, que lançou uma coleção toda inspirada no filme, intitulada Jazz Age Glamour. O lançamento aconteceu junto à estréia do filme e as vitrines da loja da 5th Avenue foram temáticas, com VM especial criado junto a Baz. Ah, só para constar, a tiara custa U$200.000. Estima-se que a Tiffany tenha investido 10 milhões para estar no longa.

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Os looks de Leonardo DiCaprio também são daqueles que contribuem e muito para a aura de príncipe do personagem. Todos os figurinos masculinos foram assinados pela Brook Brothers, que criou cerca de 500 ternos vintages, smokings e chapéus-coco. É claro que as criações também ganharam as vitrines das lojas da grife, com a The Great Gatsby Collection.

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Pior foi lembrar agora que, para divulgarem o filme em SP, contrataram promoters para circularem pela Oscar Freire como casais, onde os homens estavam vestidos em ternos pobres acompanhados de mulheres com vestidos grosseiros de paetês, combinados a tiara do Saara/25, meia arrastão e saltos plataforma. Para os passantes associarem o desfile dos casais pela rua com o filme, as mulheres andavam segurando uma sacola de papelão preto com a imagem do poster do filme recortada e colada em ambos os lados.

Juro.

Chora.

Dizem que o povo tem memória curta. Eu concordo e tenho visto/ouvido/lido exemplos cruéis. Pior ainda quando alia-se à esse HD defeituoso a pouca referência e/ou a preguiça de pesquisar. Fiquei feliz em ver que a Cavalera retomou os holofotes, com a entrada de Sommer e a volta dos desfiles debochados, kitchs, irreverentes. Tudo a ver a escolha do estilista, que também sempre lançou mão do humor e deixou saudade nas passarelas.

Muita gente não se lembra, mas a Cavalera sempre teve como emblema sair da curva e sempre fez desfiles seguindo essa premissa. Eu fazia moda na época que a marca teve seu auge e amava as t-shirts bem humoradas e agressivas, desconstruindo ícones e logomarcas ou reunindo referências espalhafatosas e diversas, como na coleção Índia, inspirada em Bollywood. Meu sonho era trabalhar lá, por isso, acompanhava todos os desfiles, lançamentos, o que podia. Anos depois, quando eu escrevia para o Moda Brasil,tive o prazer de ir à coletiva do Turco Loco, na Fosfobox, quando a marca elegeu Tati Quebra Barraco sua musa para divulgar os jeans e comemorar seus 10 anos. À coletiva seguiu-se um show da musa do funk. Diversão pura…

Bom, voltando ao presente: esse último desfile – que felizmente fez a Cavalera ganhar os holofotes de novo – teve inspiração nos anos 70. Achei legal pensar no link com um dos primeiros desfiles da marca, há 10 anos, pelas mão da talentosa Thais Losso, intitulado Black:

Na minha opinião, Thais foi responsável pela melhor fase da Cavalera. Também foi ela quem assinou o estilo da coleção Novelas, com trilha com direito a vinhetas e o famoso “plim plim”:

Vasculhando o HD, vale também rever esse desfile em 2003, intitulado Bonequinha de Luxo, onde mesas ocupavam o meio da passarela e rolava uma trilha pra lá de debochada…

As mesas na passarela se repetiram no inverno 2004, agora estampadíssimas, quando os modelos entravam fazendo poses e dançando:

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Depois de muitas apresentações nesse estilo, a marca partiu para outro estilo de show (bom, para não cansar), mas, ainda assim ousando nas locações. Lembro muito do realizado nas margens do Tietê, que confesso, não fui, apesar do convite em mãos. Os jornalistas assistiram com capas e proteções e lembro que choviscou no dia.

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Em 2010,  rolou o desfile no Minhocão, em SP:

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Agora, é aguardar para ver o que veremos nos pontos de venda da marca.

Vida longa (e memorável, por favor) a Cavalera.

Uma das minhas lojas preferidas é a Asos. Adoro desde a proposta de ser somente online, até a praticidade dos filtros e, claro, as roupas. Acompanho há anos a loja e tornei-me consumidora frequente. Sim, entrega no Brasil e a entrega tem sido cada vez melhor e mais rápida: além de você poder “trackear” seus pedidos, em caso de taxas eles ligam e mandam e-mail com valores a serem cobrados e você já adianta essa parte via cartão de crédito.

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Eles são ótimos também no marketing: as fotos dos produtos são super bem feitas em looks onde o styling não abafa o produto em si, rolam editoriais de tendência, eles produzem a Asos Magazine, além do marketing direto sempre tentador, mostrando novidades e oferecendo descontos especiais.

Além de produtos com a label Asos, tem peças e acessórios de diferentes designers, dos mais conhecidos aos novos. Vale dizer que ela tem segmentos como o Asos Curve (que atende aos tamanhos UK 20 a Uk26, ou seja, do nosso 48 ao 54) e Asos Maternity: dois super filões muito mal explorados aqui no Brasil.

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Em Londres, conheci uma outra marca que adorei, sobre a qual nunca tinha ouvido falar por aqui: a River Island. O visual das lojas já indica que o preço é bom: muitos produtos, lojas grandes, departamentadas por feminino, acessórios e masculino. Mas, tudo muito bem exposto e com espaços confortáveis ara transitar, mostrando que ela não compete com magazins. Digamos que ela fica no meio do caminho entre estes e as lojas normais.

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Na River, a grade de tamanhos também é ampla: vai do Uk 3 ao UK 18, do XXS ao XXL. Para eles, Para eles, blazers do 26 ao 46, jeans do 26 ao 38. Eles também têm seção para meninas e meninos, pegando o segmento infantil/teen, de 3 a 12 anos.

 

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Captura de Tela 2013-03-10 às 11.41.56A marca acaba de lançar uma coleção assinada pela Rihanna, reforçando a vocação pop e jovem. No blog, que eles chamam de Style Insider, dicas de moda e looks para todos. Ah! Eles entregam no Brasil. A minha próxima aquisição será lá, certamente.

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Fiquei vendo o frisson em torno do Alabama Shakes e, sei lá porquê, até então não tinha escutado. Acho que impliquei com o nome. Daí, fui tentar não me convencer a ir ao Lolla, sabe como é, caro, ponte aérea, hospedagem, etc, etc. Mas, queria tanto ver o Black Keys, o  Franz, o Graforréia e fiquei pensando há quanto tempo não vou num festival, coisa que mais gosto de fazer, e a vida é uma só, e quanto vale o preço de ouvir um bom som ao vivo com seu melhor amigo, e aí, então, pô, vou ouvir qual é desse Alabama aí que tá no line up.

E?

E aí que agora estou aqui preenchendo os dados da compra pro Lolla.

Alabama Shakes, NME, January 2012

Bom, assim como o Black Keys, o que me seduziu de cara no Alabama é a ponte com um som 60’s, com guitarra, bateria e baixo lindamente presentes, com preocupação instrumental. E depois a voz incrível da vocalista Brittany Howard, que lembra Janis Joplin em alguns momentos. Pesquisei mais sobre e vi que o NME pagou pau e a banda já tem fãs como o Jarvis Cocker (do Pulp) e Jack White. Pouca coisa não..

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Ouvi. Garreipaixão. E agora é esperar dia 30/03. E dia 01/04, tem aqui no Circo também.

Quem já trabalhou alguma vez na vida com fotos e modelos sabe o quanto é incrível o resultado de uma combinação mágica do olhar de quem está por trás das lentes com o movimento de quem está na frente delas. Sempre amei acompanhar o trabalho, ainda que como produtora executiva, e ficava realmente emocionada quando via na tela o resultado daquelas horas de trabalho.

Quando vi esse editorial, clicado por Kristian Schmidt e Shawn Heinrichs, fiquei de boca aberta. Fotografar debaixo d’água já é um enorme desafio para todos os envolvidos. Coloque em cena tubarões-baleia e deixe tudo muito mais incrível do que a mente poderia imaginar.

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O ensaio foi realizado em Oslob, nas Filipinas, e uniu a experiência de Shawn em fotografar o fundo do mar com a experiência de Kristian com moda. Foram convidados para a equipe as modelos Roberta Mancino (campeã de mergulho) e Hanna Fraser (especialista em fotos embaixo d´água e sereia profissional), além do stylist Fazli Krasniqi e o artista e fisiologista Taro Smith.

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O desafio era transformar modelos em sereias e criar uma conexão entre humanos e o maior peixe do oceano. As fotos foram feitas em uma semana e estão à venda aqui.

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Não sou designer, mas conversando com muitos amigos de marketing e de outras áreas, que reparam na imagem e no trabalho de marca de maneira mais profunda, percebo o caminho do simples como um ideal. Em meio a tanta poluição e quantidade de informações, o silêncio é almejado, virou desejo. E isso se expande para tudo: para os minutinhos de meditação, no momento de ócio criativo, naquele subterfúgio corriqueiro do carioca olhando o mar. Quando isso se transporta para as prateleiras e para o consumo, fica também a vontade de ver algo que surpreenda pelo simples.

A nova campanha da Selfridges trata disso tudo de maneira muito inspiradora. Chamada de No Noise, ela começou a circular no último dia 10 e tem como proposta fazer o consumidor procurar por momentos de paz e tranquilidade, sem o bombardeio de informações e estímulos. Tudo a ver com o sentimento de “detox” que paira sobre todos e a busca pelo – sonhado – bem estar.

Foi criado, dentro da loja, o Quiet Shop e o Silence Room. Na Quiet Shop, estão peças com design minimalista de marcas como Jill Sander e Acne. Dentro do Quiet, a ação De-Branded Shop acelerou meu coração: marcas super conhecidas foram convidadas a criar produtos sem interferência de logos.

Dr Dre, Beats

Dr Dre, Beats

Clinique

Clinique

Creme de la Mer

Creme de la Mer

Heinz

Heinz

Heinz

Heinz

Striiiipes

Striiiipes

Marmite

Marmite

Levi's

Levi’s

Levi's

Levi’s

O Quiet Room eu deixo essa imagem explicar:

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Fora isso, ainda vai rolar uma performance da John Cage Orchestra e do Idler Talks. Desmaiei.

Para saber mais, vale ver esse ótimo vídeo da campanha:

Mais silêncio, menos confusão. Por favor!

Quando resolvi fazer Jornalismo, apenas alguns amigos médicos do meu pai lamentaram o fato da filha não seguir os caminhos das roupas brancas, dedicação árdua e noites em plantão. Mas, quando resolvi fazer Moda, as interrogações foram de toda a parte. Desde questionamentos ótimos do tipo “e o quê você fica fazendo na aula??” – ao que eu, mau humorada como vocês devem imaginar, respondia que “nada, só fico desenhando” – a comentários do tipo “nossa, mas moda é muito fútil, né, não?“.

Enfim, quando entrei para Jornalismo, já entrei querendo escrever sobre Moda. O que sempre me atraiu foi o lado histórico e comportamental. Incrível você saber que as saias encurtaram e se ajustaram, na época da Segunda Guerra, porque, além de não ter tecido suficiente para esbanjar por aí, as mulheres assumiram fábricas, então, o visual tinha que ser prático – nada de correr risco de tecido enroscando  nas máquinas. Isso tudo deu sequência ao ready to wear e ao famoso new look, de Dior, em 1947.

Com a escassez de tecidos, a viscose e o rayon foram os mais usados no período

E as estampas, mil cores e vibe étnica nos anos 70, refletindo todo espírito libertário, escapista, misturado, lisérgico?

muitas cores e escapismo para dizer o “make love, not war”

E nem preciso citar aqui a subversão, a contestaçnao e o não ao ordinário do punk, com seus alfinetes, rasgos, o DIY e o tudomuitopreto, agressivo  e fetichista.

a loja da musa vivienne, no auge do punk

Indo lá para trás, Maria Antonieta e seu poder de fazer caravelas na peruca virarem moda e competição, assim como esbanjar luxo em pedrarias, bordados e sapatos feitos especialmente para ela. Opulência pura.

Extravagância no visual, nos bailes e nos gastos com jóias levaram Marie Antoinette a ser odiada pelo povo, que passava fome. O resto da história, a gente sabe: culminou na queda do reinado de Luis XVI, com a morte de ambos, e na Revolução Francesa.

E em contra-ponto a Rainha Vitória instalando a sobriedade pós-luto, espalhando o ideal da castidade suprema nos costumes, na literatura e na moda.

O preto como cor do luto foi popularizado pela Rainha Vitória. Em 1861, depois de perder o amor da sua vida, a rainha perdeu o encanto pela vida e entrou em um luto profundo até 1897.

Enfim, um mundo de histórias onde o jeito de vestir, como sempre, reflete ideologias e desejos.

E você? Que mensagem quer passar hoje?

Pra mim, moda não é simplesmente uma roupa, nunca foi, nunca será. Eu vejo moda como reflexo de uma época. Imagino uma música no fundo, o que acontecia nas artes, o que as pessoas comiam/viam/liam/ouviam, o que elas pensavam, como se organizavam…E aí, a roupa entra como um outdoor do que ela imaginava ser e em que grupo ela se inseria. Um grande outdoor. Adoro poder passar uma mensagem todos os dias, de maneira instantânea. 

Acredito que todos que trabalham com criatividade precisam ter escapes mais comuns e fundamentais que a maioria dos  mortais. Talvez por isso a maioria hoje dos meus amigos e conhecidos que trabalham com áreas criativas – literatura, moda, música, marketing, design – tem como sonho ter seu próprio negócio. E muitos deles já tomaram esse passo. O principal motivo? Ter controle sobre o tempo e, consequentemente, melhor maturar suas ideias, rendendo muito mais. Hoje, 99% das empresas – ainda as que se consideram demasiadamente livres ou criativas – ainda impõem uma carga horária puxada para qualquer um que vive em um centro urbano em pleno 2012, além de não incentivar projetos paralelos (a começar pela carga que exigem) – ou seja, tudo o que vai contra qualquer fluxo criativo. E tudo que a gente não quer é interromper as inspirações que podem ocorrer às 8h da manhã ou às 11h da noite.

Então, fico feliz quando vejo alguém correndo atrás de realizar seu próprio sonho e entender como é passar para o outro lado e administrar não só o seu tempo, como lidar com o dos outros. O desafio é grande? Claro que é. É fácil? Claro que não. Mas, acho incrível e aposto muito, porque sempre fui das que acredita que toda e qualquer mudança é positiva, desde que ela se torne um aprendizado.

Dei essa volta toda para falar que fiquei muito feliz quando vi  três amigas meterem a cara, o coração e o estômago e montarem suas marcas. A Priscila Amorim montou a Ô (só o nome já não é instigante?). A Raquel Ferraz montou a YES I AM (o nome também é audácia pura, não?) e a Fafi Vasconcellos montou seu ateliê de noivas. O mais interessante é ver que nenhuma enveredou pelo nicho meninas-jovens-que-querem-novas-tendências. Cada uma apostou em uma linguagem e público diferente e cada uma criou uma comunicação para se apresentar.

A Ô foi lançada em um evento no 00, no melhor clima entre amigos. Entre os drinks e a delícia de encontrar conhecidos, um espaço foi dedicado a apresentar, em araras, as peças recém-nascidas – com um mix de materiais impressionante para uma primeira coleção. Ah! Você saía da festa com um catálogo, um moleskine da marca  e se quisesse comprar, era só entrar no e-commerce no dia seguinte. Luxo.

A YES I AM aposta nas peças básicas. Sim, quem não quer uma boa calça jeans e camiseta? Mas, e onde achar? Pronto. Agora você já sabe: na loja online da marca!

Para se apresentar, um vídeo com uma trilha mara:

A Fafi apostou nas Cinderelas urbanas e suas personalidades e desejos distintos para criar vestidos incríveis! No facebook do Atelier, você acompanha todas as novidades.

Inspirador, não? E de verdade.
É empreender para crer.

Ou o contrário?

….

Sou fã da Asos… é o único e-commerce de moda que enche meus olhos, por tudo: navegação prática, variedade de produtos, qualidade, bom preço.

Hoje desmaiei quando vi a coleção Asos Black, assinada por Lauren McCalmont, graduada pela Saint Martins. Laura já colaborou com nomes como Peter Piloto e Thomas Tait e trouxe para a Asos Black mix e prints e texturas, com referências aos anos 70 e grafite somados à influência do esporte em alguns detalhes, como fechos de vestido, recortes, alças cruzadas e uso de malha telada. A coleção tem 11 peças, entre vestidos e incríveis plataformas. Posto todos abaixo!

“My signature is multi-layered prints, mixing graphic shapes with handwritten and painted elements,’ says McCalmont. ‘The main focus for the collection was to make each dress individual, hand-printed and multi-layered.”

E as incríveis sandálias e sapatos…

Sempre tive problemas com roupas muito formais. Homens com o combo blazer + gravata + camisa social + sapato costumam automaticamente me sufocar. Bom, hoje umas fotos do Guerreisms mudaram totalmente meu conceito.

Depois de ficar horas navegando e pensando sobre o assunto, descobri que o que me incomoda, no fundo, é a dificuldade de vermos peças clássicas sendo usadas por eles de maneira simples e divertida, no tamanho certo (fundamental), nos tecidos próprios (fundamental 2) e condizentes com a realidade urbana, sem deixar de lado a verdade/conforto/simplicidade. Some a isso o preconceito da maioria em relação ao uso de acessórios (cintos, lenços coloridos, pulseiras) e combinações de texturas e cores por eles e…. caímos na desgraça de nos deparamos no calor do Rio de Janeiro com homens usando blazers à la Didi Mocó, calças de microfibra com bainha mal feita, sapatos de couro fake e gravatas bizarras. E daí veio meu trauma – agora totalmente superado.

Obrigada, Guerreisms!

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