Arquivos para categoria: músicas, notas e sons

Conheci o Thiago Pethit, pelo Alberto Renault, em 2010. Estávamos envolvidos na busca da trilha ideal para um desfile de verão, alguém que pudesse traduzir um clima retrô, de maneira contemporânea. Depois de alguns dias na busca de um formato/banda/artista, Renault me ligou e disse que tinha sido apresentado, por um amigo, ao som do Pethit e que tinha achado ótimo para esse momento. Ele ouviu, adorou. Eu ouvi, adorei. Contato feito, e-mails e telefonemas trocados e, algumas semanas depois, tivemos o prazer de ter o cantor na passarela, num pout pourri de 5 músicas, cantadas ao vivo.

esp_ss11_457

As músicas saíram do primeiro álbum de Pethit, o Paris,Texas, recém-lançado na época e que ficou bons meses rodando no meu note, enquanto eu trabalhava. Se você não lembra de ter ouvido alguma música do Paris, Texas, vou botar aqui um clipe que vai te fazer lembrar (ou pelo menos, já garrarpaixão de primeira!):

Bom, o fato é que fiquei encantada assim que terminei de ouvir o álbum todo, logo no dia que Renault me entregou: uma audácia tranquila e deliciosa de se ouvir. Num mar de “queroserindie”, Pethit me veio como uma mensagem de simplicidade. E não me refiro aqui à crueza, ao contrário: me refiro a uma voz límpida, um som encorpado, uma banda com peso, letras cheias, referências ricas, a não-preocupação com a pressa dos cenários cool. Uma falta de obviedade muito sedutora e admirável.

Ano passado, recebi o segundo álbum dele, o Estrela Decadente.

thiago-pethit-estrela-decadente

Bah, adorei. De novo. E de cara. Tudo muito lindo: o som, a capa, a marca Thiago Pethit em si. E essa semana conferi ao vivo, no Solar de Botafogo. Luxo puro. Para lavar os ouvidos, o coração e a alma.

No site, tem download dos dois álbuns.

Naquele momento pós-show, quando uma parte do público se dispersa, enquanto a outra ainda pede bis, o que será que se passa pelos backstages? Como será que o artista que há pouco era o centro das atenções se comporta? O livro The Moment After the Show retrata 100 artistas após suas apresentações. A ideia – do fotógrafo Matthias Willi e do jornalista Olivier Joliar – era captar a essência de cada um dos registrados.

eterno Iggy

eterno Iggy

Juliette Lewis

Juliette Lewis

Peaches

Peaches

Queens of the Stone Age

Queens of the Stone Age

Vive la Fête

Vive la Fête

Gnarls Barkley, a dupla formada por Danger Mouse e Cee-Lo Green

Gnarls Barkley, a dupla formada por Danger Mouse e Cee-Lo Green

Depois que você passa dos 30, se toca que faz sentido aquelas frases que lia em algumas matérias bobas de revistas femininas sobre “não trocar a cabeça de 30 por nada“. Bom, saber quem se é, saber que tem defeitos e qualidades e assumir ambos e, acima de tudo, sentir uma tranquilidade acima do bem e do mal (seria um estado avançado de consciência?) são os maiores prêmios que tive pelas escolhas que diz durante os dias, meses e anos que passaram.

Estou prestes a fazer 34 e todos esse pensamentos têm sido recorrentes. Ainda tem (ainda bem) muita coisa ainda para conquistar, muitos brindes para fazer, malas pra arrumar, amor para viver. Mas, acima de tudo, fica pairando essa estranha-inquietante-deliciosa-obediente tranquilidade de aceitar o irrevogável – o que considero a maior dádiva da minha fase balzaquiana.

Isso tudo foi de alguma maneira sintetizado na minha cabeça japonesa quando vi Shut up and Play The Hits, o doc que registra o fim da banda LCD Soundsystem,  mesclando em uma ótima edição situações íntimas vividas por seu líder, James Murphy, até o último show, no Madison Square Garden, que uniu 18 mil fãs.

No filme, ele conta em como sempre quis ser “cool”, fazer parte de uma cena musical, quando jovem… e de como, de repente, aos 38 anos, estava lançando um álbum de sucesso, fazendo turnês, viajando e concretizando sonhos. E de como de repente os cabelos brancos apareceram na barba e ele percebeu, aos 41, que ainda não tinha filhos e que nesse ritmo, quando ele olhasse, a vida passaria e ele não teria tido o tempo nem de curtir coisa normais e que ele adora, como fazer café.

 

Enfim, acho a banda foda, o show deles no Circo foi um dos melhores que já vi na vida, e a certeza que fica é que se Murphy só fez sucesso mais velho, porque tudo estava mais consistente: desde a certeza de quem ele é e o que quer, até o projeto e escolha da banda, até a atitude corajosa de parar no auge (e que ele diz em uma entrevista que talvez, no futuro, ele possa dizer que foi o único erro do LCD: ter parado).

Muphy, ❤ u.

Conheci a Noize na Choque Cultural. Era uma edição especial sobre Roberto Carlos. Pensei: que ótimo uma revista dedicada ao Rei. Bom, alguns meses depois, descobri que a Cris Lisboa, amiga de palavras, leques e detalhes, era editora-chefe da revista. Ela veio ao Rio, rimos e devaneamos, na brisa noturna do Arpoador. Passou-se quase um ano e depois de mais conversas e abanadas, ela me chamou para escrever para o site. Depois de mais um tempo, por quê não para a revista também? Bom, meu piloto foi sobre os 45 anos do The Velvet & Nico – um dos meus tops da vida. E a estréia oficial está aqui!

Faz um bom tempo que não ouvia nada que me deixasse realmente impressionada. E hoje caiu meu queixo e meus amores por Spoek Mathambo. Tanto que ele me fez fazer minha(s) primeira(s) compra de música via iTunes, sem nem pensar.

Spoek Mathambo (algo como “Ghost of Bones”) é o alter ego do artista, que se chama Nthato Mokgata

O prolífico músico – e designer e DJ e produtor – sul- africano mistura hip-hop, rock e eletrônico, de maneira vibrante, do tipo que te leva para a pista e, ao mesmo tempo, densa. Bem do jeito que a gente gosta. Fresco, sem ser com cara sazonal. Denso, sem querer forçar. Mas, ele não classifica o som como hip-hop, como ele responde para um repórter da Time Out: It’s informed by the original spirit of hip-hop, how you dig through blues records, funk records, rock records and you make something new. But it’s not hip-hop. Definitely.”

Seu segundo álbum, Father Creeper, foi lançado em março pela Sub Pop. Segundo ele, o disco foi composto durante sua turnê pela Europa, América do Sul e América do Norte, e é uma colaboração com sua esposa, a rapper Gnucci Banana, o instrumentalista CHLLNGR e os também sul-africanos do Dirty Paraffin.

Navegando atrás de infos sobre ele, ouvi a versão que ele fez para Control, do Joy Division, com um vídeo amazing:

Já virou minha trilha oficial do segundo semestre…

O que sempre me impressiona nas fotos de anuários escolares é o olhar esperançoso, mas sem pistas. Acho que por conta do momento do clique, do enquadramento e do uniforme, nada da personalidade passa pela lente. Dificilmente a gente olha uma foto do colégio, dessas posadas mesmo e diz: “olha aqui, já dava para ver que essa aqui ia longe” ou “esse já era maluco desde criança“.

Não sei se você concorda comigo, mas olha essas fotos de músicos nos tempos do colégio e me diz se você já via no olhar deles o que eles se tornariam:

All the single ladies...

Debbie sem seu Heart of Glass

Eminem - Please stand up!

Fergie, ainda sem humps

Smells Like Teen Spirit

Marilyn Manson - ainda com cara de sweet dreams

Michael Stipe com cara de...Elvis Presley

Quem viu Iggy de gravata, nem imaginava que um dia ele dançaria sem blusa rolando pela carne moída num palco...

Like a Virgin

Hoje fui conferir a expo Queremos Miles, no CCBB e já aviso: vale muito à pena! Fiquei impressionada com o acervo de objetos que conseguiram trazer e com a organização espacial que proporcionar uma imersão labiríntica pela diferentes fases de Miles Davis. Do bepop, passando pelo cool jazz até as misturas com rock (quando pluga o wa wa ao trompete) e funk, é impressionante como ele se reinventava o tempo todo. Tudo vira um grande mergulho no tempo, porque as salas seguem uma sequência que co-relaciona textos, cartas, partituras, instrumentos, fotos, capas de álbuns, vídeos e áudios correspondentes a cada período profissional do artista. Concebida pela Cité de La Musique, com apoio dos familiares e dos gestores da obra de Miles, a mostra conta a história do artista desde sua infância em Illinois até a ascensão, em NY, e os últimos anos de sua vida. Incrível.

um dos trompetes dele

capa do álbum que já mesclava o jazz ao funk, que era a novidade da época

Até mesmo figurinos desenhados especialmente para ele estão lá, assim como um vídeo promocional feio por Spike Lee para divulgar o seu retorno em 1980, despois de 5 anos recluso, em depressão. E uma surpresa e tanto foi dar de cara com o quadro abaixo, assinado por Basquiat:

Basquiat

Queremos Miles fica no CCBB do Rio até 28/09, aniversário de 20 anos da morte do artista. O encerramento terá uma mesa redonda comandada pelo jornalista Antonio Carlos Miguel. Dia 19/10, a expo começa no Sesc Pinheiros, em SP.

Quando li Mate-me, por favor e, depois, quando comecei a ler mais sobre Warhol, um nome ficou ecoando na minha cabeça: Chelsea Hotel. Em Só Garotos, a diva Patti Smith fala mais sobre esse espaço que antes era apenas um nome sonoro e sugestivo na minha cabeça e o que já me gerava curiosidade…só aumentou.

O Lobby do Chelsea em 1972 - foto de Carter Tomassi

O Chelsea foi fechado para hóspedes no último dia 30/07. O hotel estava sendo negociado por U$80milhões, mas seu rumo ainda é indefinido e não divulgado. Os 100 moradores permanentes poderão permanecer no local, mas nem eles sabem que fim a história toda levará. Vale lembrar que o hotel é dos mesmos donos desde a segunda guerra e que se, antes os quartos eram baratos, a diária  já estava em torno de U$300.

A imensa fachada

A escada de ferro percorre os 12 andares, que têm paredes cobertas por trabalhos artísticos de quem se hospedou por lá

Em Só Garotos, Patti conta como estar lá era o suficiente para fazer parte de uma cena efervescente novaiorquina que se reunia no lobby, quartos e escadas do hotel, dia e noite. Ela conta como morar ali soava como um presente divino, depois de ter morado com Robert Mapplethorpe em casas de amigos, muquifos sem luz ou com encanamento resumido a uma gota caindo da pia (onde as roupas eram lavadas).

Como ela conseguiu um quarto no tão falado e movimentado Chelsea? Pedindo, na cara de pau, ao dono Stanley Bard, que era, a meu ver, um mecenas. A história que ela contou para ele era tão boa que lhe rendeu uma chave. Apostando nos novos talentos, Stanley terminou fomentado inspirações pelos corredores ao hospedar, de graça ou por valores super baixos, artistas que não tinham grana. Lá, Patti conheceu Janis Joplin, William Burroughs, Ryan Adams, Jimi Hendrix e Bob Dylan.

De um lado, Patti e Robert e, do outro, Ryan Adams

Passaram por Chelsea muitos outros nomes, como Sid e Nancy, Leonard Cohen, Robert Crumb, Mark Twain, Tennessee Williams, Jack Kerouac, Stanley Kubrick, Milos Forman, Arthur Miller, Sam Shepard e Dee Dee Ramone.

Placas homenageando quem passou por lá

Nos quartos, muitos projetos foram criados. Bob Dylan escreveu músicas pro seu álbum Blonde On Blonde, no quarto 211. Arthur C. Clarke escreveu, no quarto 614 o clássico 2011: Uma Odisséia no Espaço. Lá, Andy Warhol filmou Chelsea Girls. Muitos artistas e bandas – The Stooges, Jefferson Airplane, Patti Scialfa, Joni Mitchell, Jim Carroll -, ainda citariam Chelsea em letras.

Vale ver essa entrevista com Stanley, que foi afastado em 2007. Dá para entender porque o Chelsea virou O Chelsea:

Também rola um doc, chamado Chelsea Hotel, que pode ser visto no youtube. Olha a primeira parte:

Mais sobre: AQUI e AQUI.

Acho que isso é mais que suficiente para me fazer querer passar, pelo menos, uma temporada por lá…não?

O Nhow Berlin é o prineiro hotel dedicado à música da Europa. Quem assina o design é o super renomado Karim Rashid, conhecido pelas linhas desafiadoramente pops e coloridas. A preocupação dele e do arquiteto Sergei Tchoban foi criar uma estrutura externa que não destoasse do estilo industrial da região. Mas, o quê a mais fica para o terraço  que avança no ar e por si só já faz a gente abrir a boca de surpresa. O design ali é levado super a sério e os móveis e espacos são todos uma experiência sensorial.

O lobby do hotel

Detalhe do uniforme das recepcionistas

Restaurante

Restaurante

Detalhes dos quartos, com diárias de 170 a 2500 euros

Mesas prontas para gravarem insights musicais

e ainda com vista panorâmica

Art gallery com piano

O bar recebe vários DJs locais e de outros países. Nos quartos, TV com 30 canais, menu de 5mil filmes, dock para iPod e 100 estações de rádio – tudo integrado em um “state-of-the-art entertainment system“. Ah! E se você ficar a fim de toca guitarra, é só ligar para a recepção e pedir uma Gibson. Sério. Além disso, todo o luxo a mais que a gente espera de um hotel que leva assinatura de Rashid está ali: restaurante com cozinha internacional, área fitness, spa, sauna e um terraço de 1000m2. Como descrito no site, eles estão preparados para altas expectativas e prontos para realizarem desejos, sejam eles musicais ou não.

welness area

cromoterapia pop

Incrível.

Há idos 10 anos, depois de mostrar Belle & Sebastian, André me apresentou ao trabalho solo de Isobel Campbell, com o The Gentle Waves. Adorei de cara. Antes de tudo porque ela tem essa voz ciano: suave, mas pré-tempestade. Quando ouvi o primeiro álbum dela com Mark Lanegan Ballad of Broken Seas (nome perfeito) – achei a dupla incrível. Ela com a calmaria enganosa. Ele (ex-Screaming Trees) com a voz soturna e densa, que em alguns momentos nem parece real.

Depois desse, eles lançaram mais dois álbuns juntos: Sunday at Devil Dirt (2008) e Hawk (2010). Vale ouvir esse contraste/complemento nada óbvio. Até então, a minha preferida deles é a country Ramblin Man, digna de fazer parte da trilha de um Tarantino:

%d blogueiros gostam disto: