Fui ver o documentário Joy Division esse final de semana. Como todas as críticas disseram, ele completa com perfeição o 24 Hours Party People e o Control, tornando-os uma trilogia, ainda que tenham sido produzidos sem qualquer acordo ou intenções premeditadas entre os diretores. A melhor ordem para assisti-los é exatamente como citei acima, seguindo a veiculação que tivemos nos cinemas. 

Enquanto 24 hours dá um apanhado geral da cena, das bandas, dos circuitos e movimentos, Control foca somente no Joy Division, de acordo com a visão de Debbie, mulher de Ian. Muitos criticaram a posição dela, diretora de filme, ao colocar Ian como covarde e ela como vítima. Enfim, o julgamento pode ser precário e injusto e o que vale é a história sendo contada por quem viveu com ele, além da interpretação ótima de todos os atores e a fotografia p&b incrível.  Já o documentário, dirigido por Grant Gee, reafirma o que vimos anteriormente, só que através de depoimentos de Bernard Summer, Peter Hook, Annik (amante de Ian), Tony Wilson, Peter Saville, entre outros.

A importância da banda é clara, indiscutível. E a força e estranheza densa de Ian são instigantes e elegantemente perturbadoras. O jeito de cantar e dançar eram únicos e se bastavam. No filme, comenta-se sobre o estado de transe em que a música o deixava e achei engraçado perceber que ninguém nunca pediu a ele uma explicação sobre o que acontecia com seu corpo no palco ou sobre de onde vinha o que escrevia e cantava. Eram sentimentos, pensamentos e expressões transformadas em letras de músicas por um garoto de 23 anos, de calça de alfaiataria, camisa social para dentro, funcionário público, com uma aliança dourada na mão e um bebê o esperando em casa, leitor de Dostoiévski, Burroughs e Kafka e que entrou na banda depois de um breve telefonema, quando viu um anúncio e ligou perguntando se poderia ser o vocalista da banda que estava sendo montada.

Quem me conhece, sabe que Joy Division é a minha banda preferida. A primeira vez que ouvi fiquei muito impressionada com a força, as texturas angustiantes, a combinação forte de todos os instrumentos criando toda aquela atmosfera hipnotizante, visceral. Soco no estômago.

Dá uma olhada no trailer do doc. E corre pra ver, porque já está saindo de cartaz.

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